Greve na USP chega ao fim: o que aconteceu?
Resenha por Calien Alves de Lima Monteiro
Revisado por Rafaela Lessa de Jesus Gonçalves
Publicado por Bruno de luca werneck

Neste 1° de Junho de 2026 (segunda-feira), o pró-reitor de graduação da Universidade de São Paulo (USP), Aluisio Segurado, concedeu entrevista ao jornal Estadão, na qual falou sobre as greves que vêm ocorrendo em diversos departamentos desde 14 de abril, há quase dois meses. Segundo o pró-reitor, após negociações entre a administração da universidade e as lideranças estudantis, que reivindicavam reajustes nas bolsas de permanência estudantil, reformas no Conjunto Residencial da USP (Crusp) e criação de novas linhas de transporte público, o movimento perdeu força. Dessa forma, espera-se que as atividades da universidade retornem à normalidade em breve, como já ocorreu nas Faculdades de Direito e de Medicina.
A greve atingiu seu ápice com a ocupação do prédio da Reitoria, no campus Butantã, na Zona Oeste de São Paulo. Cerca de 150 estudantes ocuparam o edifício, integrando um grupo maior de aproximadamente 400 manifestantes que protestavam em frente ao local. Segundo informações do g1, no mesmo dia da ocupação, a Reitoria comunicou o ocorrido à Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, que mobilizou a Polícia Militar para acompanhar a situação. Quatro dias após o início da ocupação, a PM realizou a desocupação do prédio, utilizando bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes. A ação ocorreu sem aviso prévio e deixou diversos estudantes feridos. A medida gerou controvérsias, com muitos internautas criticando o que consideraram um uso excessivo da força para retirar os manifestantes. Ao comentar as imagens da operação, Aluísio declarou ao Estadão: “Eu fiquei triste com aquelas imagens.”
Além da ocupação da Reitoria, ocorreram protestos em frente à Secretaria da Educação e ao Palácio dos Bandeirantes, reunindo também estudantes da Unesp e da Unicamp que aderiram à greve. Uma dessas manifestações, realizada em frente à sede do governo paulista, durou cerca de quatro horas e foi marcada por confrontos generalizados envolvendo também um vereador de São Paulo que tinha comparecido ao protesto para gravar conteúdos provocando os estudantes, e resultou na abertura de uma via de negociação com o governo de SP, conduzida por uma comissão formada por seis estudantes, dois advogados e a deputada estadual Mônica Seixas (PSOL), que também participou do movimento.
Em 26 de Junho de 2026, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que a greve era justa, mas que a resolução do conflito era de responsabilidade da Reitoria. Na entrevista ao Estadão, Aluisio Segurado afirmou que “a marcha era contra o governador Tarcísio” e que o movimento apresentava reivindicações de caráter mais político e eleitoral do que propriamente universitário.
Após um longo período de negociações e polêmicas, a universidade se comprometeu-se a aumentar o auxílio estudantil para R$ 912, criar novas linhas de ônibus em parceria com a SPTrans para ligar o centro da cidade e a região de Pinheiros à USP, implementar melhorias nos restaurantes universitários e formar grupos de trabalho para avaliar as condições das moradias estudantis e planejar reformas necessárias.
