Empresa de IA destrói livros para alimentar sua criatura.
Notícia por Bárbara Cândido
Revisado por Maria Beatriz Lima
Publicado por Alícia Ferreira

Representação de livros sendo destruídos. Autor desconhecido.
O debate sobre a Inteligência Artificial e a sua crescente importância na última década é um tópico constantemente revisitado nas mídias sociais. O tal instrumento revolucionário da tecnologia se torna mais popular conforme suas funcionalidades ultrapassam o nível superior de ensino em diversos campos de trabalho, desde a criação de vídeos até uma pesquisa inteira sobre qualquer tópico entregando em poucos seguidos e sem pagamento exigido.
Neste âmbito, esta inovação utiliza da própria internet e de seu próprio histórico de pesquisa para alimentar o conhecimento da máquina, tornando-a cada vez mais complexa e atualizada ,estabelecendo assim, uma linha de funcionamento problemática para a empresa, cuja inteligência artificial acessa dados em sites e mídias sociais; e os entrega para seus usuários como uma verdade absoluta, sendo que nenhuma das informações passaram por uma verificação de autenticidade e tornando uma ferramenta extremamente inclinada ao erro e a manipulação de informações.
É diante deste cenário que Anthropic, empresa estadunidense de pesquisa e segurança de IA, se encontrava. Conforme a assistente artificial denominada “Claude” entregava respostas erradas e informações infundadas oriundas da internet, a solução para o problema de credibilidade foi encontrada em livros que não estariam submetidos a erros. Foi a partir de uma dessas soluções que no ano de 2024, a mesma empresa foi processada por um grupo de autores e veículos de imprensa pela violação de seus direitos autorais ao utilizar cópias de seus livros.Ao utilizar versões pirateadas de suas obras para o treinamento de Claude Anthropic
Segundo a agência de notícias britânica Reuters, foi acusada de, sem qualquer autorização dos criadores, deter mais de 7 milhões de livros pirateados em uma biblioteca digital que: “Não havia sido necessariamente utilizada para o treinamento da inteligência artificial.” Fato este que violaria a lei dos direitos autorais dos escritores e resultaria em um acordo histórico de 7,66 bilhões de reais para o encerramento da ação coletiva em julho de 2026.
Simultaneamente, o aumento da compra de livros causou comoção no setor e trouxe destaque para a mídia. Nesse sentido, a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros reportou um aumento de 3,2 milhões de livros vendidos no primeiro trimestre deste ano. A 404 Media -empresa independente de jornalistas- a partir de pesquisas descobriu relatos e conversou com livreiros que estavam envolvidos neste pico de vendas, entre eles um dos livreiros que participaram da pesquisa respondeu: “Não é só a quantidade, mas a estranheza dos pedidos […] Além disso, há um total desrespeito pelo preço do livro. Já tive alguns livros vendidos dessa forma que estavam […] muito acima do preço. Isso é um sinal de que a IA está agindo, porque eles têm muito dinheiro.” Tornou-se evidente que a compra em massa tem como o objetivo a digitalização dessas obras para alimentar a IA Claude. A prática não foi escondida: uma máquina escaneia as palavras dos livros, adquirindo suas informações e as enviando para alimentar a assistente virtual com dados. O fato que causou maior controvérsia ao público é de que, para que o processo ocorra, as lombadas dos livros são destruídas e as folhas, separadas. De forma que não há chance de reparação e a cópia digitalizada “não é armazenada para os leitores”, ou seja, os dados da obra são salvos, mas não em um formato que permitiria a preservação de seu conteúdo.
A preocupação, afinal, não convém inteiramente da destruição de um livro. Afinal de contas, os livros são destruídos todos os dias, rasgados e, na melhor das hipóteses, enviados para a reciclagem. As maiores apreensões a respeito das consequências de tais atos, entre os especialistas, originam-se principalmente, ao volume e aos tipos de livros. Visto a alta quantidade de obras adquiridas pela empresa e a existência de títulos raros entre eles.
