Crise na Câmara dos Deputados: Tigrinho ou Fake?

Crise na Câmara dos Deputados: Tigrinho ou Fake?

Notícia por Louise Lázaro


Revisado por Fernando Lima

Publicado por Lucas Bispo


           A Câmara dos Deputados entrou em crise após a viralização de um vídeo no qual o ministro-chefe da Casa Civil é flagrado em meio a uma partida do Tigrinho, um jogo de azar on-line, durante uma sessão no plenário relativa a campanhas de vacinação da OMS. Posteriormente, constatou-se que o vídeo havia sido manipulado, caracterizando-se, portanto, como conteúdo falso. Em áudios vazados de uma conversa entre o ministro e seu assessor de imprensa, o ministro afirma ter sido injustamente acusado, uma vez que, segundo ele, estava apenas verificando a cotação do dólar.

Ainda assim, o vídeo alcançou grande repercussão nas mídias sociais e popularizou a hashtag #MinistroDoTigrinho. Como reação e resposta à pressão pública, um decreto presidencial, articulado com a participação do ministro-chefe da Casa Civil, instituiu o Comitê Nacional de Verificação Digital. Esse novo órgão possui o poder de aplicar sanções pecuniárias de até R$ 500.000,00 às plataformas digitais identificadas como responsáveis pela disseminação de desinformação e fake news de caráter difamatório.

Diante disso, uma sessão extraordinária, com duração de até duas horas, foi convocada na Câmara dos Deputados em razão da alegação de possível extrapolação do poder regulamentar do Executivo. O objetivo da sessão é deliberar sobre a manutenção ou rejeição da decisão do governo por meio de decreto parlamentar.

Durante essas duas horas, partidos majoritariamente de esquerda, como o Partido dos Trabalhadores, o Partido Socialismo e Liberdade e o Partido Socialista Brasileiro, além do Partido da Social Democracia Brasileira, declararam-se favoráveis ao decreto, justificando a urgência da medida diante dos danos reais à saúde pública ocasionados pela disseminação de desinformação. Luiza Nabuco, líder do PSB, destacou em seu discurso os baixos índices de vacinação infantil decorrentes da propagação de boatos. Além disso, o Congresso e a Justiça foram considerados, por esses partidos, lentos demais para conter surtos de doenças potencialmente agravados pela desinformação.

Os partidos de direita, por outro lado, criticaram a possibilidade de aplicação de multas sem decisão judicial prévia. O áudio vazado também contribuiu para a tese de que o decreto teria sido uma reação apressada a um vexame político, e não o resultado de uma política devidamente planejada e voltada ao bem-estar da população brasileira. Maria Clara Danesi, líder do Movimento Democrático Brasileiro, teve protagonismo durante o debate e defendeu a busca por uma solução viável para ambos os lados, reafirmando a gravidade dos problemas causados pela disseminação de notícias enganosas.

Desse modo, cabe aos deputados da Câmara debater, de forma diplomática, a decisão referente ao decreto presidencial e deliberar sobre sua aprovação ou rejeição.

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