Painel El Niño 2026-2027: O que esperar do El Niño.
Notícia por Bárbara Cândido
Revisado por Maria Beatriz Lima
Publicado por Alícia Ferreira

Representação El Niño/La Niña. Stock
Ondas de calor, focos de incêndio e alterações na distribuição de chuva, estas são apenas algumas das consequências do fenômeno denominado “El Niño”. Fenômeno que vem se tornando mais evidente no continente conforme as temperaturas e condições climáticas se alteram gravemente, impactando cada região do Brasil de formas distintas e acentuadas, preocupando as autoridades. Em detrimento disso, em agosto de 2026, como resultado de uma ação conjunta entre o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastre Naturais (CEMADEN) e outros órgãos governamentais (como ANA, INPE, SGB, SEDEC e CENSIPAM), o Painel El Niño 2026-2027 foi publicado. Sendo esta a terceira edição de tal documento que visa expor a situação climática atual relacionada ao El Niño, compartilhando informações importantes, preparações a serem tomadas e previsões das consequências sobre o meio ambiente e os impactos à população.
Nesse sentido, é registrado que em junho de 2026, a agência norte-americanaNOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) detectou anomalias/desvios de temperatura na superfície do mar em determinadas regiões do Oceano Pacífico Equatorial, central e leste, apresentando aumentos na temperatura da água. Isto, somado a padrões de circulação atmosférica, é compreendido como um conjunto de condições características e sucintas para a ocorrência do El Niño. Com alta probabilidade de que as anomalias de temperatura possam superar 2,5°C tornando-se o mais intenso registrado desde 1950, espera-se que o fenômeno perdure até, pelo menos, o primeiro trimestre de 2027.
Quanto ao ímpeto regional, no Centro-oeste, o cenário mais provável para os próximos três meses é de chuvas abaixo da média, agravando a deficiência hídrica e riscos de incêndios. Tal risco de fogo permanece, segundo o boletim, em cenário crítico, abrangendo, além do Centro-Oeste, o sul da Amazônia e áreas do interior do Brasil, sendo que os níveis mais elevados de risco de fogo estão concentrados no Mato Grosso, sul da Amazônia e Pará. É indicado um grave aumento de 107%, em julho e agosto, na atividade de fogo e espera-se que o maior número de ocorrências de incêndios seja em setembro, na região Norte do Brasil.
É importante ressaltar também que as ocorrências de ondas de calor, vindas do aumento da temperatura intensificado pelo aquecimento global, se tornam mais comuns com a chegada do El Niño. Tornando dias e noites mais quentes por dias ou até semanas, sendo particularmente perigosas em áreas urbanas devido às “ilhas de calor”, que elevam ainda mais a temperatura do local. Para parâmetro, entre setembro e novembro, em situações típicas sem a influência do fenômeno, são esperadas, em média, 2 a 3 ondas de calor no Brasil. Sendo que, sob a influência do El Niño tal estimativa fica em torno de 3 a 5 ondas de calor. Situação que é extremamente prejudicial à saúde da população, principalmente grupos mais vulneráveis como crianças e idosos.
Mudanças acentuadas na temperatura e falta de umidade no ar são esperadas, com elevada probabilidade de que o fenômeno atinja fortemente a população. Recomenda-se o acompanhamento contínuo das situações meteorológicas, hidrológicas e geológicas de sua região, bem como a atenção à saúde individual.
