Doom Scrolling: a armadilha por trás das telas
Notícia por Luísa Luz
Revisado por Fernanda Falcão
Publicado por Rafaella Louise

Se você já passou mais tempo do que pretendia rolando o feed do celular, provavelmente conhece o termo doom scrolling. Esse comportamento, caracterizado pelo consumo compulsivo de conteúdos, principalmente negativos, vai além de um simples hábito e representa um vício que grande parte da geração atual de jovens enfrenta. Esse estado não significa apenas um “tempo de tela excessivo”, mas sim um ciclo vicioso que é muitas vezes disfarçado como algo produtivo ou como uma forma de manter-se conectado e informado.
A psicologia usada na construção das redes sociais e do algoritmo se assemelha muito com a usada por empresas que trabalham com itens colecionáveis ou a de cassinos, com duas principais diferenças: o sistema de recompensa digital não tem fim e é acessível a qualquer momento. Além disso, a fim de criar uma atmosfera ainda mais viciante, o meio digital tem a capacidade de se adaptar de acordo com que cada usuário interage. Dessa forma, o feed nunca se esgota, oferecendo constantemente novos estímulos capazes de prender a atenção por mais alguns minutos. Esse ciclo é alimentado pela expectativa de encontrar algo novo, que mantém o cérebro em busca da próxima recompensa. Assim, quando a satisfação esperada não se concretiza, a sensação de que ainda há algo a descobrir incentiva a continuidade da rolagem, mantendo o usuário preso a esse ciclo.
O que pode parecer apenas algumas horas a mais diante da tela pode ter consequências que se estendem para além do ambiente digital. À medida que esse comportamento se torna recorrente, inúmeros impactos podem surgir. Um exemplo é quando o cérebro entra em contato com notícias ou manchetes trágicas e interpreta como ameaças reais o que libera hormônios do estresse. Ademais, o doom scrolling também pode causar uma piora no sono, estímulo de sentimentos de tristeza ou raiva e é muitas vezes associado ao aumento de sintomas da depressão e ansiedade.
Portanto, é essencial reconhecer que em uma sociedade na qual estar constantemente conectado se tornou parte do cotidiano, a linha entre o uso saudável e o consumo compulsivo pode ser cada vez mais difícil de identificar. Nesse contexto, compreender como os algoritmos influenciam os hábitos pode fazer com que o usuário perceba que nem sempre o desejo de continuar nesse ciclo corresponde a uma necessidade real, e que desenvolver uma relação consciente com as plataformas digitais é indispensável para a manutenção de uma saúde mental. Reconhecer esse limite é, portanto, um passo importante para que o bem estar seja sempre priorizado.
