Artigo por Nycole Lopes em 7 de outubro de 2024
Publicado por Amanda Velasco
A Umbanda é uma religião que se consolidou no Brasil no início do século XX, mais precisamente em 1908, a partir das manifestações mediúnicas de Zélio Fernandino de Moraes, em Niterói, Rio de Janeiro. Ela é uma fusão de elementos da religião africana dos povos Iorubás, do catolicismo, do espiritismo kardecista e de tradições indígenas. Compreender a Umbanda é entender um ato de resistência e sincretismo frente às imposições religiosas e culturais da sociedade da época. Desde o seu surgimento, a religião enfrentou perseguições, sendo frequentemente demonizada e considerada inferior. No entanto, a Umbanda oferece um refúgio para aqueles que buscam se tornar pessoas melhores. Seus fundamentos se baseiam na caridade, na fraternidade e na evolução espiritual. O princípio fundamental da Umbanda é a melhoria pessoal através do auxílio ao próximo. Compreender essa religião é afastar-se dos preconceitos e reconhecer que os orixás, caboclos e guias espirituais são intermediários que aproximam os praticantes da evolução espiritual. A Umbanda ensina que devemos sempre buscar o bem e que nossos guias estão aqui para nos orientar no caminho da evolução pessoal e da conexão com o Criador.
Nessa perspectiva, acreditamos que a evolução é conquistada dia a dia, ao nos reconhecermos melhores, ao praticarmos a paciência e a empatia com os outros. Participar dessa religião é entender que, assim como em todas as outras, há altos e baixos, e que a fé será restaurada, testada e fortalecida. Assim, por exemplo, é comum ouvir dos povos ciganos que seus guias acompanharão sua jornada e guiarão seus caminhos, essa também é uma prática na Umbanda. No entanto, estar na Umbanda não significa conquistar tudo o que se deseja ou dominar o mundo, mas sim reconhecer o seu valor no mundo, isto é, significa entender que seus guias te protegem e cuidam de você, que ficam orgulhosos quando você trilha o caminho certo, mas não hesitam em repreendê-lo quando você está errado. Estar na Umbanda é compreender que os guias podem até machucar seu coração para salvar sua alma. Assim, participar dessa religião é compreender que ninguém nasce genuinamente bom, mas que o bem é construído com amor e respeito.
Nas religiões de matriz africana, especialmente, na Umbanda, o bem é formado pela cura de Obaluaê (ou Omolu, orixá da cura e da saúde), pelas águas salgadas de Iemanjá (orixá das águas do mar, mãe de todos os orixás, associada à maternidade e à proteção), e pelas águas doces de Oxum (orixá dos rios e das águas doces, deusa da fertilidade, do amor e da prosperidade). Tal ação Inclui também a força e a justiça de Xangô (orixá dos trovões e da equidade), a coragem e o trabalho de Ogum (orixá do ferro e da guerra), a liberdade e a transformação de Iansã (orixá dos ventos e tempestades), a espiritualidade e a sabedoria de Oxalá (orixá criador e da paz), e a conexão com a natureza e a abundância de Oxóssi (orixá da caça e das florestas). Além da energia vibrante de Ibeji (orixás das crianças e da dualidade) a qual também é fundamental para as boas ações, assim como Nanã (orixá da lama e das transformações), que simboliza a sabedoria ancestral e a renovação. Na Umbanda é princípio fundamental que a vida seja vivida com leveza, com o riso e a alegria dos erês (espíritos de crianças que representam a pureza e a felicidade). Dessa maneira, entendemos que os guias e os orixás ensinam o amor próprio e o reconhecimento da dádiva que é viver.
Enfim, a Umbanda se revela como um caminho profundo de auto descoberta e crescimento, nela os orixás e os guias demonstram um cuidado sincero e constante com seus praticantes, de modo que, em lugar de se de ser uma crença demonizada, a Umbanda deve ser respeitada e reconhecida como uma fonte de transformação e aprimoramento pessoal. Assim, os guias e os orixás oferecem suporte e inspiração, ajudando seus devotos a enfrentarem as adversidades com coragem, para que se tornem dignos de seu orgulho. Estar na Umbanda é encontrar alegria nas coisas cotidianas e valorizar o que é simples antes de aspirar o sofisticado. Logo, a religião umbandista ensina que a verdadeira felicidade vem do ato de viver plenamente e de estar em harmonia com o próprio espírito, pois “na simplicidade da vida, encontramos a grandeza da alma.”
O novo roubo no Louvre choca o mundo e reabre o debate sobre segurança em…
Quem mais senão os jovens? Artigo de opinião por Bárbara Alves Publicado por Mariana Freire…
As mudanças climáticas que assombram Belém. Noticia feita por Melissa Lustosa Publicado por Valentina Resende…
Um sopro de vida Resenha por Maria Eduarda Azevedo Publicado por Júlia Aucélio Livro Um…
A intencionalidade de “A Sociedade dos Poetas mortos resenha por isadora macario publicado por alicia…
Demanda por enfermeiros cresce no Brasil e amplia oportunidades na educação e na carreira Notícia…
Utilizamos cookies
Entenda como utilizamos