Artigo de Opinião por Arthur Velloso
Publicado por Mariana Freire
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tem enfrentado diversos problemas nas últimas semanas, muitos deles, na verdade, refletem questões estruturais antigas. Um dos episódios recentes que gerou controvérsia foi o vazamento de uma suposta camisa vermelha como uniforme alternativo da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026. A escolha da cor causou grande repercussão negativa na internet, por não representar nenhuma das cores da bandeira nacional. Posteriormente, a CBF desmentiu a informação em nota oficial.
Outro ponto de tensão foi a recusa, pela segunda vez, do técnico Carlo Ancelotti, atual treinador do Real Madrid, em assumir o comando da Seleção. Isso evidenciou a falta de planejamento da CBF, que se mostrou excessivamente dependente de um nome estrangeiro, em vez de priorizar alternativas mais viáveis e igualmente competentes, como Jorge Jesus, ex-técnico do Flamengo e do Al-Hilal.
O cenário é agravado pelo fraco desempenho da Seleção nas Eliminatórias da Copa do Mundo, o que levanta a possibilidade real de o Brasil não garantir vaga na competição. Caso isso ocorra, será a primeira vez na história que a Seleção ficará fora de uma Copa do Mundo, além de igualar o maior jejum de títulos desde o intervalo entre as conquistas de 1970 e 1994.
Boa parte desses problemas decorre da estrutura desgastada da própria CBF. A escolha de treinadores tem sido equivocada: após a recusa de Ancelotti, optou-se por nomes como Fernando Diniz – que acumulava a função de técnico do Fluminense e da Seleção – e Dorival Júnior, que não teve bom aproveitamento, como demonstrado nas derrotas para o Uruguai nas quartas de final da Copa América de 2024 e para a Argentina nas Eliminatórias, por 4 a 1. Além disso, a CBF enfrenta recorrentes escândalos de corrupção envolvendo seus dirigentes, o que compromete ainda mais a credibilidade da entidade e o desenvolvimento do futebol nacional.
Em suma, a Seleção Brasileira sempre teve potencial para conquistar Copas, como demonstrado pelas frequentes vitórias em Copas América, Copas das Confederações e Eliminatórias. No entanto, a falta de gestão, a má escolha de técnicos e a desorganização interna têm impedido a conquista do tão sonhado Hexa. Hoje, o Brasil corre o risco não apenas de continuar o jejum de títulos, mas de viver o vexame de sequer se classificar para a próxima Copa do Mundo.
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