Volta do analógico como forma de diferenciação autônoma em meio a padronização social
Artigo de Opinião por Eduarda Lins
Revisado por Luana de Figueredo
Publicado por Mariana Mota Lopes

Câmeras digitais
Em meio a um mundo de rápidos avanços tecnológicos e ressignificação constante de tendências em que vivemos, a volta do analógico representa a necessidade de certos grupos de assegurar a diferenciação autônoma em meio a padronização social na atualidade. Dessa forma, o fenômeno é observado ,principalmente, através das mídias sociais, que tem mostrado cada vez mais em seus posts, a utilização de câmeras fotográficas analógicas e digitais e o consumo de cigarros clássicos de tabaco em detrimento a alta de cigarros eletrônicos nos últimos anos. Com isso, a tendência ,de certa forma, demonstra a rejeição do impacto negativo na singularidade que as tecnologias atuais causam, dando preferência a utilização de mídias físicas de consumo. Seria essa uma real forma de se diferenciar, ou apenas mais um movimento de padronização?
Com isso em mente, o mercado de câmeras digitais, anteriormente considerado decaído pelas inovações em smartphones, passa a ter alta demanda em meio ao público jovem, o que quebra com as expectativas em relação às tendências esperadas de consumo. O que faria esse cenário se reverter completamente nos últimos anos? A resposta reside em nossa grande necessidade coletiva de reivindicar as próprias ações e autonomia em meio a dormência das redes sociais. Assim, a mínima retomada de controle que as mídias analógicas nos proporcionam, gera um senso de diferenciação para uma sociedade apática de suas próprias vontades.
Já na realidade de celebridades e influenciadores, a volta do consumo de cigarros de tabaco clássicos é evidente nos últimos anos, sendo um coadjuvante em diversos cenários da cultura pop, com destaque em 2026, como em musicas, fotos tiradas por paparazzi e até se acessórios em certos momentos. O comportamento passa a representar a capacidade de destruição do próprio corpo atribuída apenas a pessoa que escolhe o consumir, mesmo com a ciência de seus malefícios ele é uma declaração dramática da autonomia na atualidade. Tudo isso com o objetivo de garantir a asseguração que a realidade ainda pertence a nós, apesar de estar em meio a alta padronização social, ainda temos a sensação de controle.
Portanto, a volta da utilização de meios analógicos mesmo em detrimento dos avanços tecnológicos demonstra a necessidade da nossa realidade demonstrar autonomia, mesmo que de formas destrutivas. A declaração que a mídia analógica traz em seu movimento, é a regulação da própria imagem sem interferência da tecnologia atual, o que se revela de certa maneira um protesto e uma visão poética do controle que o ser humano ainda pode exercer por seus comportamentos. Assim, fica evidente o desespero de ser diferente e ainda assim, de forma paradoxal, entrar em uma tendência que garanta sua própria singularidade.
