Educação sem pensamento crítico é adestramento
Artigo de opinião por Marina Contaifer
Revisado por Tiago Carneiro
Publicado por Mariana Mota Lopes

Educação é uma pauta que pode nos levar a diversos caminhos distintos: tecnologia, cultura, pensamento crítico, política… A verdade é que a educação é a base de tudo, de todos os grandes problemas e soluções, não só do país, mas do mundo. Pensando em escala nacional, a educação no Brasil é um direito assegurado na Constituição de 1988 e dever do Estado, o mesmo Estado que vem, a cada dia, negligenciando mais o acesso à educação de qualidade. Irônico, não é? O texto de hoje é sobre a educação em uma era de tecnologia e diante de um governo que lucra com a sua ausência.
Vive-se numa era de vício em dopamina barata, encontrada facilmente na palma de nossas mãos. É assustador pensar que crianças com boas condições financeiras já começam a ganhar seus primeiros celulares nas idades iniciais da vida. Essa nova geração, que nasceu e cresceu em um meio dominado pela tecnologia, além de ter seu pleno desenvolvimento como ser pensante prejudicado, está fadada a valorizar o inútil.
As mesmas pessoas que sabem todos os detalhes do término de Marina Sena e Juliano Floss não sabem o mínimo da história de sua própria nação e das pessoas que nos representam, tanto na política quanto na cultura, no esporte e na literatura — esses dias, me perguntaram se Gal Costa era uma influencer.
Fala-se muito sobre a falta de acesso à educação, mas o que eu observo com fervor na geração atual é a negligência dela. A culpa não está na tecnologia, mas, sim, na forma como nós a utilizamos e nos permitimos ser tão facilmente passíveis aos vícios gerados por ela. O conhecimento nunca foi tão acessível e a juventude nunca foi tão ignorante. Há muito conteúdo de fato interessante para todos os gostos na internet, mas nos acostumamos a rolar a tela interminavelmente para suprir essa necessidade quase química de recompensas rápidas, que, anos atrás, podia ser cigarro ou álcool e, hoje, TikTok e Instagram.
Claro que ainda existem exceções; não posso ser hipócrita ao me inserir em um grupo totalmente generalizado de jovens ignorantes quando ainda existem, sim, jovens que me fazem crer no futuro consciente do Brasil. O Tito é o meu MC de batalha favorito e, também, meu exemplo favorito de como não podemos subestimar a geração. Uma das maiores promessas para o futuro do hip-hop, cultura que já é, por si só, descriminalizada e subestimada, dá uma aula de consciência, conhecimento e estudo. Em sua rima, ele sempre ressalta a importância da consciência crítica, que é exatamente onde quero chegar com tudo o que falei até aqui.
Educação sem pensamento crítico não é educação, é adestramento. A sociedade imediatista, impulsionada pelos avanços da tecnologia, substitui o esforço mental pelo digital, e é por isso que se cria a impressão de que todos os jovens estão iguais: pela falta de individualidade promovida pelo pensamento crítico. Assim, caminhamos em direção aos interesses políticos, já que não ter senso crítico é ser obrigado a concordar com o que dizem: “Ensinar o povo a ver criticamente o mundo é sempre uma prática incômoda para os que fundam os seus poderes sobre a inocência dos explorados.” — Paulo Freire
Uma população com acesso à educação de qualidade está predestinada a desenvolver senso crítico, e o governo não precisa de uma sociedade crítica, precisa de uma sociedade que questione menos e obedeça mais. O governo quer exatamente isso: ignorância.
Ademais, como afirma o filósofo francês Michel Foucault em seu discurso sobre as relações de conhecimento e poder: “Todo sistema de educação é uma maneira política de manter ou de modificar a apropriação dos discursos, com os saberes e os poderes que eles trazem consigo.”
Portanto, é fundamental buscar conhecimento além do que se é ensinado nas escolas ou cobrado nos vestibulares. O conhecimento vai além de uma prova do ENEM. O conhecimento geral sobre diferentes ópticas é fundamental para não se tornar um subordinado passivo do poder estatal.
Este texto é um apelo. Estude, busque conhecimento não apenas para fazer uma prova, mas, sim, para se formar como sujeito crítico, não obediente. Conhecimento e senso crítico são nossas maiores armas para construir o nosso Brasil presente e futuro.
