Os gênios modernos já não recebem o mesmo reconhecimento que seus antecessores.

Os gênios modernos já não recebem o mesmo reconhecimento que seus antecessores. Como isso diminui a quantidade deles pelo mundo?

Artigo de Opinião por Gabriel Loureiro


Revisado por Rafaela Quintas

Publicado por Mariana Mota Lopes

 Fotografia de Santos Dumont, amplamente reconhecido como inventor do avião. Disponível em: https://oespecialista.safra.com.br/primeiro-voo-aviao-14-bis-santos-dumont/

A forma como a espécie humana evoluiu durante toda sua história exigiu de seus integrantes que inventassem e reinventassem as mais diferentes tecnologias nos mais diversos âmbitos do conhecimento, com o objetivo de se adaptar às demandas nas sucessivas eras. Notavelmente, uma tarefa tão crítica como essa foi repassada às grandes mentes que já caminharam pelo Planeta Azul, e muitas delas obtiveram êxito a partir desse fardo, de tal forma que suas contribuições desempenham papel fundamental na vida dos que habitam o planeta nos dias atuais.

Depois de milênios de mudanças, de desafios enfrentados e domados pela espécie, é possível encontrar aqueles que defendam que “é muito difícil inventar algo nos dias atuais”, argumentando que é volumoso o número de criações relevantes. De fato, o trabalho de determinados pensadores antigos, como Sir Isaac Newton, ou Albert Einstein no âmbito da física, por exemplo, frequentemente ofusca os esforços de outros que minimamente conseguem se equiparar ao das lendas. 

De fato, é nítido que a maioria dos utensílios utilizados diariamente advêm de esforços de cérebros de outrora. Diante dessa realidade, gênios modernos, ao tentarem se lançar como inventores na era atual, acabam esbarrando nessas antigas invenções, já que, apesar de já inventadas por outras mentes em diferentes momentos, poderiam, sem dúvida, ter sido concebidas pelo mérito de outros igualmente ou, pelo menos, similarmente aptos.

Apesar dessas tendências modernas, é preciso entender que, dentre as mais de 8 bilhões de mentes pensantes, obviamente, muitas devem ser vistas como dotadas de potencial intelectual incomum, assim como os referidos inventores que os antecederam. A diferença aparece quando se discute a dimensão do campo em que esses indivíduos atuam, que se torna diminuto em decorrência do arsenal de inventos de épocas passadas.

Inegavelmente, uma das mudanças mais revolucionárias da história da humanidade que se destaca no mundo atual é o arsenal de ferramentas de Inteligência Artificial, que aparenta não conhecer limites no que se refere à disseminação na sociedade moderna. Nesse sentido, as IAs representam uma das ferramentas tecnológicas mais impressionantes já alcançadas pela “Inteligência Orgânica” dos humanos, mas já são amplamente conhecidas as implicações que podem trazer aos que as utilizam sem restrições.

É evidente que a IA tem tomado cada vez mais o espaço que o próprio pensamento crítico intrínseco que cada um toma desde o advento da humanidade, e é muito simples cair na armadilha de se permitir ser levado por essa onda de negação ao próprio raciocínio, de tal forma que até os vistos como excepcionalmente inteligentes devem ser cautelosos para não serem vítimas dessa tendência. É preciso, na esmagadora maioria dos casos, que, mesmo sendo dotados de robustos intelectos, esses indivíduos ainda tenham que se esforçar para alcançar seu potencial por inteiro; caso contrário, é essencialmente impossível ascender como uma personalidade reconhecida no mundo atual.

Em contradição com os pontos negativos trazidos pelas novas tecnologias, a globalização que tem enfrentado o mundo atual também não pode ser ignorada quando se discute o espaço e reconhecimento que recebem as grandes mentes que caminham sobre a Terra hoje, pois é perceptível que a difusão do conhecimento é um fator potencial para a aceleração do desenvolvimento de tecnologias. Apesar disso, certas entidades tomaram melhor vantagem nesse contexto de globalização, como a Apple, Amazon e Microsoft: as famosas “Big Techs”, que dominam os meios de produção e acabam diminuindo o espaço para a ascensão de inventores aspirantes, o que contribui para o desincentivo nos anos recentes.

Enfim, é inegável que os dotados de conhecimento que viveram em outros tempos e deixaram sua marca na história da espécie tendem a apresentar níveis de inteligência únicos. Porém, na remota possibilidade de que algum outro sortudo tenha um intelecto equiparável ao daqueles que já se consolidaram, são altas as chances que, devido aos projetos deixados pelos seus predecessores, tal indivíduo possa não lograr atingir o reconhecimento de seu pleno potencial, exatamente por se sentir desencorajado para desenvolver suas ideias, pela competição com as criações em que o pensamento apela às IAs, além da própria seleção de inventores que o antecederam.

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