A  morte de Preta Gil e o nascimento da nova era política do MPB

Notícia por Luise Nogueira


Publicao por Alicia taveira

Preta gil com seu pai

Quando uma porta se fecha, outra se abre em seu lugar” é a frase dita por Alexander Graham Bell que exemplifica o momento de transição que a Música Popular Brasileira está sofrendo atualmente. Grandes nomes do MPB estão no período de finalização de suas carreiras e concluindo um legado de décadas de esforço e cultura para as gerações futuras. Infelizmente, alguns desses grandes nomes deixaram o mundo este ano precocemente, deixando para trás o povo brasileiro com reflexões acerca do que está sendo vivido na música do século XXI, e o que a juventude deve lembrar para construir um Brasil cada vez mais rico em cultura e história. A artista e cantora Preta Gil, filha do cantor e compositor Gilberto Gil, recentemente faleceu devido a complicações médicas decorrentes do câncer, alastrando imensa tristeza ao universo da Música Popular Brasileira. No entanto, este fato marcou a reviravolta da estética musical no Brasil, enfatizando um mundo da música cada vez mais politizado. 

A música atual vem se apresentando com um viés altamente político, em que os artistas expressam continuamente suas opiniões pessoais acerca de determinados assuntos recorrentes na sociedade contemporânea. Com a cantora Preta Gil não foi diferente. A artista, que teve uma carreira de mais de 20 anos, trouxe à tona em suas criações assuntos como a gordofobia embutida na sociedade, o espaço para a comunidade LGBTQIA+ na arte brasileira, liberdade religiosa, representatividade feminina, entre muitos outros assuntos que são de alta importância para a geração Z, e para a mais nova geração Alpha. Pode-se observar esse novo enviesamento da música como a transição do MPB de um estilo puramente cultural para algo altamente político, tornando-se um veículo de manifestação de ideais e novas propostas, como observado no legado de Preta Gil.

A morte de Preta foi, e continua sendo, um choque para muitos fãs e apreciadores de sua arte. O falecimento, para alguns membros de sua família, foi apresentado ao público com leveza e um olhar de esperança, já que seus parentes entendem a mensagem que Preta deixou no mundo, como dito por Gilberto Gil (seu pai) em sua entrevista para o G1 semanas após o falecimento da filha. Ela transformou o triunfo do pai em arte e política, indo além do vivido por ele, apresentando ao mundo o contraste de épocas e as diferenças nas temáticas abordadas nas criações atuais, em contraste com as composições da “era de ouro” de Gilberto. Este fato demonstra a necessidade atual dos artistas em transmitir mensagens através da música, pois o público jovem vive em constante procura do novo e, principalmente, pelo conhecimento de opiniões diversas, para a formação de um pensamento crítico individual cada vez mais consolidado.

Entende-se que, um período de transição marcado por tais liberdades artísticas, abre espaço para todos os cidadãos contarem suas histórias por meio da arte, o que torna o MPB e a cultura brasileira cada vez mais diversa. O legado de artistas revolucionários, como Preta Gil, será repassado adiante e resistirá ainda por inúmeras gerações, já que o país está tomado por política e pensadores críticos que ampliam a cultura e a história brasileira. A música se funde progressivamente com o campo político mundial, e a transição da antiga era da música para a nova já ocorre no Brasil e no mundo, graças às novas gerações vigentes no planeta somada aos aprendizados e legados deixados pelas antigas.

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