Notícia por Marina Contaifer
Revisado por Isadora Farias
Publicado por Luísa Becattini Coutinho
Nas últimas semanas, impulsionados pelo contexto eleitoral, debates acerca do futuro das terras raras brasileiras ganharam destaque nas redes sociais. O ator Wagner Moura protagonizou um vídeo que aborda principalmente os interesses políticos envolvidos na exploração desses recursos, e a publicação dividiu opiniões entre os internautas. Nesse cenário, é relevante compreender o que está, de fato, sendo disputado e os impactos ambientais da exploração desses recursos.
As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos encontrados na natureza e extraídos por meio da mineração. Esses elementos são essenciais à fabricação de tecnologias como drones, celulares, mísseis, motores de carros elétricos e equipamentos para hospitais, além de serem utilizados em tecnologias para a geração de energia limpa. Apesar do nome, esses elementos não são escassos na natureza, mas sua extração não somente demanda quantias absurdas de dinheiro, mas também apresenta um nível de dificuldade, visto que eles geralmente estão dispersos em baixa concentração e misturados a outros minerais.
O Brasil é detentor da segunda maior reserva de terras raras do mundo, perdendo apenas para a China. Por isso, tornou-se alvo de diversos interesses geopolíticos. De acordo com o engenheiro ambiental Arthur Brasil, “quem controla as terras raras controla a cadeia de produção da tecnologia de ponta”, pois esses minérios ajudam a tornar os equipamentos mais eficientes, leves e duráveis. A China é a principal produtora e exportadora desses minérios, e os Estados Unidos são um de seus principais mercados consumidores. Entretanto, desde 2025, o governo chinês vem impondo restrições a determinadas exportações de terras raras, em meio à disputa comercial com os Estados Unidos e às tarifas impostas pelo governo norte-americano. A preocupação dos pesquisadores é que o Brasil exporte terras raras sem investir no desenvolvimento da indústria nacional, afetando o meio ambiente e a soberania brasileira.
A região brasileira com maior abundância de minerais pertencentes às terras raras é a Amazônia, que já é alvo de episódios de degradação ambiental e crimes ambientais, como desmatamento e queimadas. Estima-se que, a cada tonelada de terras raras produzida, sejam geradas até duas mil toneladas de resíduos tóxicos, como ácido sulfúrico e ácido nítrico. Se não forem tratados e armazenados adequadamente, esses elementos podem vazar, acidificando os solos e contaminando os aquíferos, tornando determinadas áreas impróprias para a ocupação humana, como já ocorreu em Mianmar, quando a mineração não regulamentada poluiu rios que fluem pela Tailândia.
Contudo, a exploração de terras raras no Brasil não deve ser vista apenas como uma oportunidade econômica, mas também como uma decisão política e ambiental. A soberania nacional e a preservação da maior floresta tropical do mundo devem ser fatores determinantes na exploração e na exportação dessa riqueza mineral, a fim de preservar o meio ambiente e garantir o futuro do país.
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