“Para voltar a mim, preciso me perder de quem sou todos os dias”
Poema por Tiago Carneiro dos Santos
Revisado por Tiago Carneiro dos Santos
Publicado por Emanuelle Ponte

Fujo da responsabilidade de ser eu todos os dias. Não sei ao certo a razão, mas sei que faço. Em momentos de hipótese, elaborei que talvez ser quem sou seja desgastante demais para “estar eu” diariamente. Busco subterfúgios em ocupações, em vícios, em desculpas, em um sentimento raso de satisfação… sei que todos são mentiras e maneiras de evitar conflitos necessários, mas ainda assim, acho mais viável do que viver de verdade.
Não sei se sou capaz de sorver minha essência em sua forma mais verdadeira e não colapsar em um poço de tristeza. Sinto( talvez em meu alterego, talvez em meu eu verídico ) que todos nós somos assim. Menos mal se todos nós fizermos — pelo menos busco pensar dessa forma, me tira parte da culpa —. No fim, observo que talvez ninguém esteja realmente pronto pra enfrentar sua verdade cara a cara. Talvez a melancolia seja intrínseca ao interior real de todos nós.
Ainda assim, de tempos em tempos, sinto falta do sofrimento de me encontrar em meio as mentiras que conto. Nesses dias, evito estímulos. Banho no escuro, músicas baixas e divagares, pensamentos profundos e silêncio. Essa é minha fórmula( mas cada um sabe onde achar as cosias em meio à própria bagunça ). Quando me encontro, sofro… e depois posso voltar a me banhar com minhas invenções.
Quem sabe não é justamente esse ciclo que sustenta a muralha na qual escondemos o que nos envergonha em nós mesmos.
