Reportagem por Luise Nogueira Campos
Publicado por Heloisa Lazzarini
Número muscial ”Masquerade” em ”Fantasma da Ópera Brasil” em 2019
A cultura popular brasileira vem se reinventando a cada ano, e é possível observar uma crescente vertente de entretenimento voltada às manifestações teatrais e ao teatro musical, que ganha cada vez mais espaço no dia a dia cultural dos brasileiros. A partir dos anos 2000, diversas montagens internacionais da Broadway ganharam força entre o público brasileiro, introduzindo na sociedade moderna um sentimento de necessidade em frequentar tais apresentações, com a finalidade pública de cada indivíduo se inteirar nos mais novos temas sociais retratados nestes espetáculos. Entretanto, com o crescimento da procura por esses locais de entretenimento, o público tem se tornado cada vez menos conscientizado das condutas de respeito dentro de teatros, deixando de lado a educação e normalizando o desrespeito aos artistas
A conscientização de etiqueta em espetáculos é um processo contínuo que está em formação desde a criação da arte teatral, criando e formando um público apto e atento à maneira de se comportar em tais espaços. Apenas no século XXI que esta ideia começa a mudar de figura intensificada por mudanças de hábitos vividas pela nova geração. Percebe-se uma crescente em diversos comportamentos inadequados para estes locais, como o uso de aparelhos celulares, conversas excessivas durante a apresentação, comentários inconvenientes feitos pelo público, aplausos em momentos inoportunos, atrasos constantes por parte da plateia, entre outras ações desrespeitosas que se fazem presentes e constantes em espaços intelectuais. Essas e muitas outras condutas inapropriadas são frequentes nos dias atuais, algo que muda completamente a experiência do público em frequentar um espaço teatral coletivo e social.
Um fato recente que exemplifica essa modernização inadequada de conduta em teatros e espetáculos musicais foi a polêmica que rodeou o espetáculo “Wicked” na montagem brasileira deste ano (2025), onde supostos fãs do espetáculo começaram a normalizar o ato de cantar por cima dos intérpretes durante as apresentações, o que gerou revolta em membros respeitosos da plateia e uma repercussão midiática de alta disseminação. Além desse comportamento, plateias que não seguiram as normas impostas pelo teatro cometeram atos de vandalismo ao gravarem e divulgarem partes do espetáculo em suas redes sociais, debilitando a experiência de possíveis públicos e descumprindo as ordens da empresa “T4F”, que não permite a gravação de nenhuma espécie de mídia durante seus espetáculos. Isso demonstra a clara mudança de comportamento de espectadores e consumidores da arte brasileira, enfatizando a falta de etiqueta do público moderno ao assistirem produções culturais e artísticas no país.
Esse assunto está sendo comentado com frequência após a alta repercussão gerada por tais movimentos que tomaram conta do país nesse último ano, estes que espalharam uma mensagem de conscientização e propagação dos procedimentos de comportamentos corretos no mundo da cultura e do entretenimento. Artistas, diretores teatrais, fãs, e até mesmo membros das plateias dos espetáculos pelo Brasil estão em uma crescente luta a fim de educar a população leiga para que a experiência de ir ao teatro possa ser desfrutada coletivamente e com o máximo de proveito, e cabe a todos os cidadãos seguir os regulamentos de etiqueta para que mantenham o respeito em todas as manifestações culturais presentes no país.
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