Fracasso diplomático ou xadrez geopolítico?
Reportagem por Maria Clara Moura Peres
Revisado por Eduarda D’Amorim Santos Guedes
Publicado por Emanuelle Ponte

Já no início, a primeira medida tomada na quinta sessão foi o estabelecimento de um acordo para tratar dos conflitos apresentados na quarta sessão da UNSC, uma tentativa desesperada de desarmar a “bomba relógio” criada pela aliança entre Coreia do Norte e Irã. O Conselho de Segurança tentou punir a Coreia do Norte pelo apoio agressivo e pela ameaça nuclear, pela imposição de um embargo imediato ao país, na tentativa de sufocá-lo economicamente antes que qualquer botão fosse apertado. É essencial compreender que esses acordos tentaram neutralizar a ameaça nuclear norte-coreana ao exigir que o Irã se mantivesse em cessar-fogo e cooperasse com o Tratado de Não Proliferação (TNP). Isso ocorre porque se o Irã parar de lutar, os EUA perdem a justificativa para o ataque militar no Estreito de Ormuz. Consequentemente, anula a desculpa que a Coreia do Norte teria para lançar as ogivas. Em suma, o documento tenta forçar o Irã a retirar e repensar suas ameaças, para que a Coreia do Norte não tenha motivos para cumprir sua promessa de ataque nuclear contra os EUA e seus aliados.
Contudo, o tratado não resolveu todos os conflitos que estavam em pauta. O tópico não abordado e solucionado foi o controle sobre a Coreia do Norte e o medo de uma guerra nuclear. O cenário internacional entrou em colapso quando o Irã rejeitou as determinações do Conselho de Segurança, alegando negligência da ONU frente a pressão ocidental. Em contrapartida, o governo iraniano invadiu o território de Israel, desencadeando um contra-ataque de tropas israelenses e norte-americanas, que declararam guerra na região. Aproveitando a confusão já estabelecida, a Coreia do Norte concretizou suas ameaças, disparando um míssel de longa distância em território estadunidense. O secretario geral da ONU classificou o momento como um desafio gravíssimo a paz global e exigiu uma solução imediata, alertando que o uso de sistemas nucleares como coação política destruiria décadas de esforços diplomáticos.
Resumidamente, o pacto declarado entre países visava assustar a Coreia do Norte com punições econômicas, mas falhou. Ao invés de parar, os norte coreanos mostraram que possuem armas de destruição em massa e que podem atingir os Estados Unidos a qualquer momento. No fim, a ONU não conseguiu impedir que a Coreia do Norte usasse suas bombas como ameaça mundial, e os riscos de um ataque nuclear tornaram-se cada vez mais próximos.
O comitê fica em estado de alerta, a França demonstra apoio e revela enxergar os EUA e Israel como as reais vítimas dessa situação, afirmando que qualquer ação em um momento delicado como esse pode ter consequências e que não adianta apontar um culpado e chamá-lo de terrorista, deve-se oferecer apoio aos alvos do conflito. Finalmente, a Etiopia cobrou e deixou claro que exigiria punições aos países que utilizaram suas armas nucleares contra outros.
“Quando o suficiente será suficiente?” – disse o delegado da Argentina, encerrando a sessão.
