Reportagem por Gabriel Loureiro
Revisado por Rafaela Quintas
Publicado por Mariana Mota Lopes
A Conference of Parties (COP), ou Conferência das Partes, foi criada na década de 1990 pela Organização das Nações Unidas com o principal objetivo de conduzir diálogos multilaterais, pautados tanto no combate às mudanças oriundas do aquecimento global quanto na implementação de metas focadas na transição energética e na mitigação dos efeitos das alterações climáticas.
Por sua criação ser resultado do reconhecimento global das possíveis consequências das graves alterações climáticas, conferências dessa natureza carregam uma grande expectativa em relação não apenas às medidas capazes de mitigar os catastróficos efeitos do aquecimento global, como também às promessas de debater métodos de transição energética, o que representaria uma fonte de esperança; entretanto, essas resoluções não têm sido alcançadas.
Embora realizadas anualmente há mais de 30 anos, as COPs alcançaram, até o momento, poucas conquistas notáveis direcionadas aos objetivos principais, como frear os efeitos das alterações climáticas e reduzir o uso de combustíveis fósseis — consumo este impulsionado principalmente pelos maiores emissores, Estados Unidos e China. Assim, enfatiza-se a necessidade de maiores esforços no sentido de se recorrer a fontes energéticas mais sustentáveis.
Dentre algumas conquistas importantes atingidas pelas COPs, está o Acordo de Paris, resultado da COP 21 ocorrida no ano de 2015, na capital francesa, que tem o propósito de reduzir drasticamente a emissão de gases de efeito estufa (GEEs), especialmente do dióxido de carbono, para contenção da temperatura média global, adotando, como limite, a marca de 1,5ºC. Outro importante marco acordado pelas conferências foi durante a COP 28, em 2023, na qual os governos reconheceram oficialmente, pela primeira vez, a necessidade de afastamento dos combustíveis fósseis.
Apesar desses importantes destaques, compromissos reconhecidos como fundamentais pelas partes que os assinam raramente são cumpridos integral ou parcialmente, o que caracteriza uma estagnação no que diz respeito aos avanços esperados.
Analisando os resultados, constata-se que essas conferências anuais apresentam uma eficácia inexpressiva quando comparadas às expectativas em relação aos objetivos estabelecidos, particularmente pela resistência das potências inclinadas ao uso de fontes não renováveis de energia, como os Estados Unidos e a China, que hesitam diante da necessidade de alterar seus consolidados métodos de produção energética ao recorrerem a fontes altamente poluentes.
As partes americana e chinesa, inclusive, têm adotado medidas que distam dos compromissos necessários para as próximas conferências, como a COP 30, prevista para ocorrer em Belém, tendo em vista que esses países persistem em seus propósitos de emissão de gases de efeito estufa em excesso, o que evidencia uma clara falta de alinhamento às resoluções definidas pelas COPs.
Ainda em relação ao cenário brasileiro e à futura A Conferência das Partes (COP), criada em meados da década de 1990, atua como órgão máximo para a tomada de decisões acerca das mudanças climáticas, realizada anualmente com o objetivo de prevenir e mitigar os graves efeitos que afetam o planeta, sujeita-se a fatores políticos, técnicos e diplomáticos, não tem conseguido conquistar as metas por ela definidas, sobretudo porque envolve líderes mundiais, cujo desinteresse em viabilizar recursos para proteger o meio ambiente é notório diante da menor lucratividade que oferecem, tendo em vista que esses países e sua iniciativa privada se beneficiam com a extração e com os recursos econômicos atrelados à exploração do petróleo, uma das maiores pautas tratadas nessas conferências., uma prova da contradição aos propósitos assinados nessas conferências foi a recente autorização do IBAMA à Petrobras para a exploração de petróleo na foz do rio Amazonas. Tal medida escancara a persistente dominância da utilização dos combustíveis fósseis e evidencia insubmissão às metas climáticas, ao adotar preferência por fontes não renováveis, consolidadas na matriz energética global há muito tempo, alimentando a falta de interesse pela transição energética.
Outro empecilho nessa mesma linha é o benefício econômico associado à exploração do petróleo e de outras fontes não renováveis. Como informa um levantamento realizado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos divulgado pela CNN Brasil, o somatório de investimentos nas indústrias de combustíveis fósseis e em fontes renováveis somou, em 2024, cerca de R$ 65 bilhões, dos quais, aproximadamente, 71,6% (ou R$ 41 bilhões) foram destinados a fontes como petróleo, gás natural e carvão mineral.
A questão financeira, assim como impasses geopolíticos modernos, impacta diretamente a verdadeira eficácia das COPs, profundamente comprometida diante da histórica preferência de muitos governos pela adoção de combustíveis poluentes, o que evidencia a falta de interesse pela mitigação dos efeitos do aquecimento global.
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