O dia é 1º de janeiro de 2020, você acha que esse é o seu ano. Faz novas promessas, lembra de promessas antigas, diz que será tudo diferente. Roupas que variam do branco ao dourado (os ousados vestem preto como forma de luto, pois o ano anterior não foi fácil e certamente você morreu por dentro), que, eventualmente, sujam de champanhe antes da meia-noite, trazendo esperança de dias melhores, até porque sua vida era um horror no ano passado. Agora eu lhe pergunto: a vontade de conhecer Emmett Brown já é maior que tudo, não? Voltar no tempo em um DeLorean na companhia de Marty Mcfly e avisar a si: “Não adianta planejar nada e se enganar mais uma vez, sua agenda draconiana não funcionará este ano!” O motivo? Uma sociedade carnívora que, em um recorte mais específico, come carne de morcego. O recado não foi dado direito, mesmo tendo seres humanos adoecendo por ingerir carne bovina, pareceu razoável contrair Vaca Louca. Com uma personalidade mais desequilibrada que a sua decidindo os rumos do país, todos tiveram que lutar e decidir como seria o próprio isolamento. A solução que pareceu impedir novos contágios foi a tal da quarentena, e, com ela, o surgimento da razão do desespero do estudante de classe média: o Ensino à Distância (EaD, para os íntimos). Uma maturidade nunca antes exigida, pois não há professor para te acordar e prestar atenção na aula de replicação de DNA. Inclusive, há a possibilidade de dormir essa aula e aprender depois. Além de aprender dormindo, EaD pode ser “eu aprendo depois”, afinal, está tudo gravado! E foi esse pensamento que te levou a questionar suas habilidades cognitivas durante a prova online. Para nós, estudantes em pleno 3º ano, o dilema: satisfazer a carne e matar essa aula, ou tomar uma garrafa de café e lavar o rosto com água gelada, pois números complexos cairão no vestibular? Só o tempo dirá se fomos pelo caminho certo, se deu certo ficar em casa e colocar a sanidade mental em risco para salvar a vida do próximo e, talvez, garantir a tão sonhada vaga na federal, planejada desde o seu 1º ano de ensino médio. A única certeza agora é da incerteza, incerteza de dias melhores, de uma sociedade melhor, de um governo melhor, da nota do próximo PAS. Tudo o que havíamos planejado escorrendo entre os dedos, sujando tudo ao redor. De certa forma, ficar em casa, estudar de maneira quase que autônoma, ensinou a todos o quanto a vida presencial, em todos os aspectos, vale a pena. Encontros, abraços, risadas, companhias e afeto ganharam o destaque que mereciam. Em uma vida material privilegiada, percebemos que não compramos os bons momentos como compramos artefatos online que nunca usaremos de fato. O mundo não mudará muito, esquecem muito facilmente das situações, mesmo que dolorosas e sangrentas. Aqui vai uma proposta de intervenção, pois estou treinando para o ENEM que será realizado sem coesão nem coerência: estudemos para eleger pessoas melhores para cargos relevantes demais para se entregar aos insanos. Essa é a única maneira de transformar pouco a pouco coisas que estão ao nosso alcance. Me desculpe, Weintraub, mas os jovens que você colocará para fazer a prova esse ano serão os mesmos que te tirarão do cargo. Os da escola pública virão conosco. Mesmo longe, um ajuda o outro da forma como pode, oferecendo material e até apoio emocional. Não soltar a mão de ninguém nunca pareceu tão distante, mas ao mesmo tempo tão real.
O novo roubo no Louvre choca o mundo e reabre o debate sobre segurança em…
Quem mais senão os jovens? Artigo de opinião por Bárbara Alves Publicado por Mariana Freire…
As mudanças climáticas que assombram Belém. Noticia feita por Melissa Lustosa Publicado por Valentina Resende…
Um sopro de vida Resenha por Maria Eduarda Azevedo Publicado por Júlia Aucélio Livro Um…
A intencionalidade de “A Sociedade dos Poetas mortos resenha por isadora macario publicado por alicia…
Demanda por enfermeiros cresce no Brasil e amplia oportunidades na educação e na carreira Notícia…
Utilizamos cookies
Entenda como utilizamos