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COP 30 em cena: Amazônia como cenário, lucro como protagonista

COP 30 em cena: Amazônia como cenário, lucro como protagonista

Notícia por Rafael Braga


Publicado por Mariana Dias

Em novembro deste ano, a trigésima edição da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30) será realizada em Belém, no estado do Pará. Contudo, os meses que antecedem esse grande evento têm sido marcados por polêmicas, nas quais debates políticos e disputas de interesse acabam por intensificar a exploração ecossistêmica e expor o persistente descaso estatal diante da crise climática. 

O projeto de lei que prevê a ampliação do Licenciamento Ambiental — procedimento administrativo que busca reduzir a burocracia e agilizar processos supostamente voltados à preservação —, associado ao capital oriundo da exploração da Foz do Amazonas — região de elevada biodiversidade e importante para o sequestro de carbono atmosférico —, evidencia o profundo retrocesso da humanidade diante dessa questão. Nesse sentido, percebe-se que debates apresentados como mecanismos de proteção, na prática, sustentam discursos, políticas e ações orientados pelo lucro e pela defesa econômica, acelerando a degradação do meio ambiente.

Essa lógica de exploração também se manifesta no atual descaso estatal, exemplificado pela omissão pelo Governo Federal dos preços exorbitantes e da baixa qualidade das acomodações em Belém para a COP 30. Além de um problema logístico, essa negligência reforça um persistente olhar colonial sobre a Amazônia: fomenta argumentos que responsabilizam a população local por problemas estruturais, excluem a região do centro das decisões políticas e reduzem seu território a simples produto de uma sociedade predatória.

Consequentemente, a gravidade das diversas nuances dessa problemática já se evidenciou em tragédias recentes, nas quais a indiferença governamental resultou na perda de vidas humanas e na destruição de ecossistemas. Os desastres de Mariana e de Brumadinho, por exemplo, poderiam ter sido evitados caso a legislação vigente tivesse exigido estudos aprofundados a respeito de impactos e de riscos para as regiões afetadas. Diante disso, é imprescindível reconhecer que a aprovação do projeto de lei sobre Licenciamento Ambiental tende a potencializar a ocorrência de episódios semelhantes, tornando-os ainda mais severos e frequentes.

Tal problemática decorre de controvérsias e disputas ideológicas que, não raramente, se sobrepõem aos fatos. Assim, o papel da ciência torna-se crucial para evidenciar que a produção econômica não depende da intensificação da exploração ambiental e que a tão almejada proteção econômica somente será possível se vier acompanhada da preservação do meio ambiente.

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