Publicado por Alicia taveira
A partir do dia 8 de setembro deste ano, 2025, o Nepal virou de ponta cabeça. A onda de protestos iniciada nesta semana está mudando o futuro da população e demonstra a força da Geração Z em se unir por uma causa em comum. Porém, cabe ressaltar que as raízes dessas manifestações são muito mais antigas do que aqueles que participam dela.
O Nepal, além de nunca ter sido colonizado, é um país consideravelmente antigo, com um reino declarado já em 1768. Apesar disso, seu “status” de República é extremamente recente, sendo oficializado apenas em 2008, fruto de uma guerra civil que perdurou por mais de dez anos. Nesse sentido, o país convive com uma grande fragilidade política, o que agrava a situação socioeconômica de sua população. Atualmente, mais de 8 milhões de nepaleses vivem em pobreza extrema, de acordo com a Oxfam. Esse fato se dá principalmente pela falta de oferta de empregos, gerando um alto nível de desemprego. Entretanto, diferentemente do povo, políticos vivem uma vida de luxo, esbanjando uma alta qualidade de vida advinda da constante corrupção perpetrada por eles. Esse contraste é o que motiva os protestos que estão ocorrendo.
A insatisfação da população com a situação não é algo recente, porém foi com a popularização de redes sociais e a presença da Geração Z nelas que a denúncia de atos corruptos se popularizou, culminando no início de pequenos protestos contra o governo. Foi diante desse cenário que o governo nepalese baniu 26 redes sociais no país, incluindo o Whatsapp, para “combater” a disseminação de “fake news”. Tal ato configurou-se como o estopim para os jovens, e, assim, as manifestações esporádicas contra a corrupção converteram-se em um movimento nacional. Os protestos foram organizados nas redes sociais ainda disponíveis, como o TikTok. O dia 8 de setembro inaugurou uma verdadeira revolução no país, a qual inicialmente foi planejada para ser pacífica, porém, ao se deparar com uma reação completamente violenta da polícia, escalou para um conflito armado e incendiador.
Na noite após o primeiro protesto, que já resultou em 19 mortes, o governo recuou a proibição das redes sociais, mas a faísca já havia pegado fogo. Os auto intitulados “nepo kids” ou “nepo babies”, jovens que lutavam contra a corrupção, estabeleceram como objetivo dar o fim na situação atual do país, tomando ações cada vez mais radicais, como incendiar o Parlamento e casas de políticos. O resultado foi instantâneo: já na terça-feira, dia 9 de setembro, o ministro KP Sharks Oli renunciou perante a tensão do momento. Mesmo assim, os protestos continuaram e a população ganhou cada vez mais força. Diante disso, o presidente Ram Chandra Paudel dissolveu o parlamento e convocou eleições para março de 2026. Ademais, foi necessária uma votação informal pelo Discord para eleger um novo primeiro-ministro a fim de apaziguar os revoltosos.
A situação do Nepal ainda é incerta e delicada, todavia, a nova ministra, Sushila Karki, já declarou que está preparada para dialogar com os protestantes e estabelecer mudanças no Estado após o conflito se encerrar. O povo ainda não reagiu efetivamente à nova situação mas, provavelmente, haverá uma discordância sobre o que acontecerá a partir de agora. A única conclusão que é certa é que o futuro do Nepal está sendo completamente reescrito neste exato momento graças à nova geração.
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