Publicado por Luana Crespo
A série televisiva “1923”, produzida por Taylor Sheridan, que se passa antes de Yellowstone e é uma sequência de 1883, ambienta-se no início da Grande Depressão e aborda temas relevantes da época, como disputas de terras, a opressão contra os povos indígenas, avanços tecnológicos e o papel da mulher na sociedade americana.
Um dos temas centrais da série é a luta pela participação feminina no mercado de trabalho e na política, desafiando a sociedade patriarcal que tradicionalmente relegava as mulheres aos serviços domésticos. Na trama, a delegada de Oklahoma, Mamie, enfrenta constantes questionamentos sobre sua capacidade profissional e a legitimidade de seu cargo, unicamente por ser mulher. Essa desconfiança ecoa até os dias de hoje, no qual tanto a qualificação quanto a opinião feminina são frequentemente subestimadas.
A desigualdade de gênero persiste, refletindo-se em salários inferiores para as mulheres, conforme dados do Ministério do Trabalho e Emprego do Governo Federal (MTE) mulheres ganham 19,4% menos que os homens. Esse cenário alarmante é resultado de um julgamento preconceituoso que limita a capacidade feminina a trabalhos domésticos, o mesmo preconceito retratado em “1923”. A representação dessa desigualdade na série é um ponto que se destaca positivamente, pois estimula a sociedade a reconhecer as injustiças enfrentadas pelas mulheres, instigando assim seu enfrentamento e demonstrando que o gênero não define a qualificação profissional, como exemplificado pela delegada Mamie, que desempenha sua função com excelência na obra.
A persistência de Mamie em sua profissão simboliza a resistência à subjugação masculina, impulsiona por sua recusa em aceitar o papel de “mulher incapaz”. Mamie não está sozinha nessa luta; em todo o mundo, mulheres se levantam contra esse sistema em busca de independência financeira, realização pessoal, melhores condições de vida e para o bem-estar de suas famílias. A garra feminina é evidente na capacidade de realizar múltiplas tarefas, desde o cuidado pessoal e familiar até o desempenho vigoroso no trabalho e a conquista de cargos de destaque. Ser mulher e trabalhar transcende a mera atividade laboral; é um ato de força e resistência.
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