Publicado por Leonardo Dantas
Imagem que ilustra o poder da dança
A dança se mostra muito presente nas manifestações que lutam pela conservação de culturas. Desde sempre a dança foi muito utilizada como forma de expressão e resistência, sempre lutando contra a opressão e contra o preconceito. No período da escravidão, os escravizados se reuniam para cantar e dançar como forma de lazer, mas também como forma de relembrar suas origens. Foi a partir dessas manifestações que danças como a capoeira, o jongo e o samba, formadas por povos escravizados, surgiram e são praticadas até os dias atuais, mais comumente em quilombos que ainda existem no Brasil. O Quilombo do Campinho é um exemplo, localizado em Paraty, cujo povo pratica o Jongo, uma dança típica afro-brasileira, em que se usam saias longas e músicas que contam histórias trazidas pelos ancestrais escravizados.
Mas essa forma de expressão não é utilizada apenas por povos que foram originados dos escravizados; também é uma forma utilizada por muitos povos como meio de comunicação e como recurso para não deixar sua cultura se perder ao longo da história. Durante a excursão pedagógica para Paraty, os alunos do Único visitaram a Aldeia Pataxó, onde conheceram danças indígenas praticadas dentro das aldeias. Eles vivenciaram um ritual religioso que utiliza como principal recurso o canto, enquanto os movimentos realizados pelos índios eram acompanhados por instrumentos de percussão, transmitindo intensidade e sentimento. Esses momentos foram descritos pelos estudantes de forma impactante e enriquecedora, que mostraram os verdadeiros valores das comunidades brasileiras.
A dança não é uma forma de resistência apenas para povos que foram muito oprimidos no passado, mas também para os que sofrem atualmente preconceito e exclusão. Danças como as chamadas urbanas nasceram justamente para dar voz a comunidades periféricas e oprimidas, como é o caso do Breaking, criado no Bronx, em Nova Iorque, e levado para o mundo todo. O Breaking é até considerado patrimônio cultural imaterial em razão dessa importância.
Mesmo sendo uma forma de resistir por outros caminhos, a dança precisa resistir por si mesma, a fim de não se tornar desvalorizada em todo o mundo. Em todos os aspectos da vida, mais e mais a cada dia, um dia todas essas causas serão reconhecidas, e a dança será valorizada por não deixar as culturas morrerem.
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