Notícia por Clara Cardoso Carneiro
Revisado por Eduarda D’Amorim Santos Guedes
Publicado por Pedro Henrique Barreto
A geração atual se desenvolveu em um contexto marcado pela intensa comparação com os outros, potencializada pelo ambiente digital. Em relatório, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que cerca de 14% dos adolescentes sofrem de algum tipo de transtorno mental, sendo esse grupo também o mais exposto ao contato virtual. Tal dado evidencia os prejuízos associados à interação constante com as redes sociais, nas quais predominam representações idealizadas de sucesso, beleza e produtividade. Ao se depararem repetidamente com esses padrões, muitos jovens passam a comparar sua própria realidade com tais modelos e a desenvolver uma autocobrança excessiva. Como consequência, formam-se adultos frequentemente insatisfeitos, inseridos em uma dinâmica viciosa e exaustiva de produtividade tóxica, na qual a performance é priorizada em detrimento da saúde mental e física.
De acordo com a International Stress Management Association, o Brasil é o segundo país com maior índices de burnout, ficando atrás apenas do Japão. Além disso, segundo o Ministério da Previdência Social, cerca de 288.865 brasileiros foram afastados do trabalho por causa de transtornos de saúde mental em 2023. Esse cenário evidência a prejudicialidade da cultura de hiperprodução no país, que exige além do que se é capaz de entregar e dessa forma, cultiva um sentimento de insuficiência. Como consequência, contribui para o desenvolvimento de uma sociedade exausta e sem perspectiva acerca de um futuro contente, que se encontra em um ciclo onde nada é suficiente, podendo provocar graves quadros de saúde.
Todos esses fatores contribuem para uma espécie de apatia coletiva, uma falta de esperança e sentimento de inexistência de um sentido maior para a vida. Tal quadro é agravado pela incerteza econômica do futuro, provocada por uma mentalidade capitalista onde não há perspectiva de avanço na vida econômica e onde a competição está cada vez mais alta e qualificada. Assim, há uma pressão cada vez maior para que sempre se supere aqueles que são considerados competidores. Esse cenário propicia esgotamento emocional e a banalização do sofrimento psíquico entre a população.
Portanto, é fundamental que a população se conscientize acerca dos riscos dessa prática, ressaltando a imprescindibilidade do descanso para o devido funcionamento do corpo e da mente, combatendo o estigma de que é necessário produzir a todo momento e de que o tempo não pode ser “desperdiçado”, para que finalmente se entenda que o ócio não é desperdício e sim necessário para uma vida de qualidade.
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