Reportagem por: Maria Luíza Ramos Quintela
Revisado por: Rebeca Bernardes Marques
Publicado por: Artur Pereira Mayrink

Ipê amarelo em frente à Catedral: https://baseincorporacoes.com.br/tipos-de-ipe/
Modernismo, tesourinha, avenida larga e superquadra: palavras que remetem à capital federal, Brasília. A cidade, caracterizada por um conjunto arquitetônico urbanístico e paisagístico, muda de cor através dos meses. Os ipês roxo, rosa, branco, verde, e claro, o tradicional florescer de setembro: o amarelo. Em meio à arborização planejada, é fácil se perder no encantamento colorido do quadradinho, porém, oferecer esse espetáculo exige um trabalho árduo de preservação e investimento ao longo das estações, que é muitas vezes esquecido ou deixado de lado.
Para além da estética, os ipês representam parte essencial da sustentabilidade da capital. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 84% dos moradores do Distrito Federal vivem em vias arborizadas, ou seja, estão inseridos em regiões com considerável presença de vegetação no espaço urbano. Assim, os ipês contribuem diretamente para a redução das ilhas de calor, a melhoria da qualidade do ar e o equilíbrio dos ecossistemas locais, favorecendo a fauna e ampliando o conforto térmico da população. Dessa forma, o cuidado com essas espécies não diz respeito apenas à manutenção da paisagem e a aspectos culturais, mas também tem relação com estratégias para a promoção de uma Brasília mais sustentável e resiliente.
Contudo, apesar desse potencial ambiental, o equilíbrio entre plantio e conservação ainda sofre com falhas expressivas na capital. De acordo com a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), mais de 218 mil árvores foram plantadas desde 2019, exibindo melhoras nas políticas de arborização; entretanto, nem sempre essas árvores recebem manutenção adequada. O adensamento urbano, combinado com podas irregulares e derrubada de árvores para obras de infraestrutura, compromete o balanceamento ambiental da cidade. No caso dos ipês, a negligência no manejo pode resultar no enfraquecimento das espécies e na perda gradual de sua presença na região. Desse modo, a sustentabilidade urbana esbarra não na falta de iniciativas, mas na ausência de continuidade, planejamento integrado e fiscalização eficiente.
Diante desse cenário, os Ipês carregam maneiras de fazer o cidadão repensar o desenvolvimento de Brasília. Mesmo que programas governamentais determinem o plantio de milhares de mudas nativas por ano, a perpetuação de uma cidade sustentável exige, além de ações pontuais, políticas públicas contínuas e educação ambiental concreta. O cuidado com esse tipo de árvore não só reforça a valorização desse grande símbolo nacional, mas também reafirma um compromisso com a sustentabilidade e qualidade de vida dos tantos outros brasilienses ainda a nascer.
