Fast Fashion: Consumo e Impacto Ambiental
Reportagem por Luisa Luz
Revisado por Fernanda Falcão Reis Telles
Publicado por Rafaella Louise

A indústria da moda é uma das mais lucrativas no contexto mundial, entretanto também está entre as mais poluentes. Grande parte desse dano deve-se ao fast fashion, um sistema de produção em larga escala que traduz tendências do mundo digital e das passarelas para lojas de conveniência e para o cotidiano dos consumidores. A logística desse modelo permite que uma peça seja desenhada e esteja nas vitrines das lojas em poucas semanas, mas, para isso acontecer, é preciso reduzir drasticamente custos em todas as etapas produtivas, incluindo mão de obra, tecido e qualidade da peça. O fast fashion se popularizou devido a inúmeras razões, mas as principais são o baixo custo, o fácil acesso e a gratificação instantânea.
Apesar dos benefícios econômicos associados ao modelo de fast fashion, seus impactos ambientais são igualmente significativos. Os dados relacionados à indústria da moda são alarmantes, especialmente os direcionados ao consumo de água. Estima-se que a produção de uma única calça jeans demande cerca de 2.700 litros de água. Além do elevado consumo, o setor também contribui de forma expressiva para a poluição dos recursos hídricos, sendo responsável por aproximadamente 20% das águas residuais geradas no mundo, principalmente em decorrência dos processos de tingimento e tratamento dos tecidos. Entretanto, os danos ambientais provocados não se limitam aos recursos hídricos. A lavagem de tecidos sintéticos libera microfibras plásticas que chegam aos oceanos e acabam comprometendo a dinâmica dos ecossistemas marinhos. O setor também é responsável por mais de 8% das emissões de gases de efeito estufa, contribuindo para o agravamento das mudanças climáticas.
Para minimizar os danos causados por esse modelo atual, uma prática contrária denominada de slow fashion pode ser adotada. Essa prática consiste em fazer algumas considerações antes de adquirir alguma peça. Antes da compra, refletir a respeito de aspectos como a frequência de uso, versatilidade, qualidade do tecido e a sua durabilidade pode contribuir para a seleção consciente e para que a sua escolha não seja baseada exclusivamente em tendências momentâneas, mas sim em sua utilidade a longo prazo.
Portanto, percebe-se que a moda e o ambiente estão profundamente conectados, principalmente em um cenário marcado por padrões de consumos cada vez mais acelerados. Nesse sentido, torna-se necessário que a sociedade assuma uma postura diferente em relação ao consumo excessivo e desenvolva a compreensão de como decisões simples, como se a blusa que vai ser comprada, podem afetar o meio ambiente. A mudança desse comportamento pode contribuir para a diminuição da demanda sobre os recursos naturais e para a redução dos danos à natureza que já podem ser observados globalmente. Assim, a construção de hábitos mais responsáveis se apresenta como um caminho para garantir uma relação equilibrada e com melhores condições no futuro.
