O vento da 00:50 discutiu com as árvores. Tirou algumas folhas para dançar, uma sinfonia harmoniosa, ao mesmo tempo que irregular. O vento estava extasiado, as folhas deixaram-se levar pelo momento de suas vidas: sua última dança, dessa vez, solo. Cada movimento produzia um som; pacífico para alguns, preocupante para outros. Uma trilha sonora belamente sincronizada à cena. Curioso como o espetáculo de alguns, torna-se coadjuvante para mentes ocupadas.
Ainda assim, a paz provocada pelo movimento externo não protagonizava seu estado de espírito. Ela estava confusa e temia a incerteza do seu futuro. Talvez, tudo o que já tenha feito, abdicado, ou priorizado, caia no ostracismo no primeiro momento de falha. Ela sentiu que deveria saber o que decidir, se sempre se esforçara tanto, em tudo o que fazia. Seu perfeccionismo era uma característica traiçoeira. O rigor de suas obras tinha um alto preço mental. Geralmente, vinha acompanhado por pensamentos insistentes, armados de dúvidas e auto sabotagem. Era confusa, sua batalha interna entre felicidade e uma ansiedade angustiante. De toda forma, isso a impedia de dormir. Silenciar seu interior parecia exigir muita energia, e ela não a tinha naquele mom
O vento da 01:10 soprou mais forte, porém, com a mesma graciosidade. Sua força a encantava. A luz do poste batia em sua janela aberta, coberta pela cortina, na qual estava refletida a imagem do seu filtro dos sonhos de forma sombreada. Pássaros sobrevoaram o ambiente em uma conversa convidativa. Duvidou se aquilo realmente acontecera, ou se sua imaginação resolvera pregar-lhe peças novamente. Ela sorriu, e se sentiu em paz. Não uma paz pacífica, desta vez, era diferente. Ao levantar-se, lutou contra imagens assustadoras em sua cabeça, ela não podia permitir que aqueles pensamentos começassem a surgir.
Um pássaro solitário voou cantando. O vento continuou seu sopro. Ela resolveu ir dormir.urgir.
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