Mulheres no Afeganistão: Uma realidade de exclusão e resistência

Mulheres no Afeganistão: Uma realidade de exclusão e resistência

Reportagem por Luisa Luz Dias


Revisado por Fernanda Falcão Reis Telles

Publicado por Rafaella Louise D. Fontenele

Mulheres afegãs protestam em grupo, segurando cartazes em defesa do direito à educação e ao trabalho, em meio às restrições impostas pelo regime do Talibã.

A persistente violação dos direitos humanos no Afeganistão evidencia uma das maiores regressões sociais dos últimos tempos. Desde a retomada do poder pelo Talibã em 2021, as mulheres têm vivenciado cada vez mais a exclusão de aspectos básicos da vida, como o acesso à educação, ao trabalho e até mesmo à assistência médica adequada. Essas restrições constroem um cenário de uma opressão generalizada do gênero feminino no país, tornando fundamental a discussão de como a normalização dessas práticas e a negligência diante dessa situação contribuem para a perpetuação dessa crise. 

É essencial compreender que essa realidade não é um fenômeno acidental, mas uma política do Estado com a intenção de minimizar e inferiorizar a figura feminina no país. Esse cenário foi descrito internacionalmente como um “apartheid de gênero”, uma vez que leis e direitos humanos foram violados com o propósito de dissociar as mulheres dos homens. O Afeganistão tornou-se a única nação no contexto internacional a proibir formalmente o acesso de meninas ao ensino secundário e superior. Tal decisão gera, consequentemente, um efeito dominó, uma vez que sem uma educação formal, a autonomia financeira se torna inalcançável, contribuindo ainda mais para que a população feminina desenvolva dependência absoluta e atinja um estado de invisibilidade social.

Além disso, essa crise é agravada pela fragilidade das legislações que garantam a segurança física das mulheres. No início de 2026, foi implementado um novo código penal que enfraquece a proteção jurídica contra a violência doméstica criando um contexto em que agressões deixam de ser efetivamente punidas. Sem esse apoio, muitas mulheres enfrentam o medo e a insegurança e acabam permanecendo em situações de risco em suas próprias casas. Somada à ausência de leis protetivas, a restrição de locomoção torna ainda mais difícil o acesso a serviços essenciais como atendimento médico e psicológico, evidenciando a negligência do Estado em relação às mulheres. 

Contudo, apesar desse cenário, as mulheres afegãs articulam e desenvolvem mecanismos admiráveis de resistência. Dentre eles, está a organização de redes clandestinas de ensino e apoio mútuo que desafiam as estruturas impostas e rompem os padrões de passividade e submissão historicamente atribuídos ao papel feminino. 

Dessa forma, a situação das mulheres no Afeganistão ultrapassa fronteiras e se consolida como um desafio global para os direitos humanos. A continuidade dessa realidade demonstra que as respostas internacionais ainda são insuficientes e precisam ser mais diretas e ágeis. Mais do que denunciar, é importante reconhecer que a omissão também contribui para a manutenção desse problema, tornando urgente a busca por soluções que garantam a dignidade e a igualdade das mulheres afegãs. 

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