ONU reconhece o tráfico transatlântico como crime mais grave cometido contra a Humanidade
Reportagem por Sofia Todorov
Revisado por Laura Raslan Veríssimo
Publicado por Martina Matteo

Presidente da República do Gana, John Mahama, discursando durante a Assembleia Geral das Nações Unidas.
Em votação histórica, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, no dia 25 de março, a resolução apresentada pelo presidente de Gana, John Mahama, que reconhece o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas, entre os séculos XV e XIX, como o “o crime mais grave contra a humanidade”. A proposta introduz mecanismos de reparação histórica, cultural e espiritual, além de impedir a eufemização (processo de suavizar uma mensagem, tornando-a menos chocante, rude ou desagradável) dos massacres cometidos pelas potências coloniais contra os povos escravizados.
O intuito da resolução, defendida por países africanos e caribenhos, é combater as consequências da escravidão, as quais persistem nos dias atuais ao redor do mundo. A proposta exige reparações aos países e aos descendentes dos indivíduos que sofreram com as atrocidades cometidas pelas metrópoles, além de reiterar a importância da emissão de pedidos formais de desculpas por parte das nações que contribuíram para esse processo.
Embora os argumentos contrários à proposta, promovidos pelos Estados Unidos e por países da União Europeia, defendam que ela possibilitaria a hierarquização de crimes contra a humanidade, considerando alguns piores do que outros, a proposta foi aprovada com o objetivo de diminuir as injustiças raciais herdadas do período colonial. A votação registrou o apoio de 123 países; apenas os Estados Unidos, Israel e a Argentina votaram contra a resolução, enquanto 52 nações, majoritariamente europeias, se abstiveram.
A vitória da União Africana, ao conquistar a aprovação dessa resolução, representa um avanço na árdua batalha pela justiça e responsabilização das antigas metrópoles pelas violências cometidas contra os povos africanos. O documento apresentado reafirma a importância da defesa dos direitos humanos ao impedir o apagamento histórico da cultura africana, o qual tem ocorrido desde o fim do tráfico transatlântico, ao solicitar a devolução de bens culturais que atualmente se encontram em museus europeus e americanos para seus países de origem.
