Artigo de opinião por: Valentina Eloi
Revisado por: Amanda Martin
Publicado por: Giovanna Martini

Como a rede e a tecnologia implicam na mente e na formação de um indivíduo; a sociedade é vítima passiva dos avanços tecnológicos
Quando pensamos em um futuro próspero, imaginamos carros voadores, robôs inteligentes e tecnologias capazes de realizar tarefas inimagináveis. Pensamos em um futuro onde seremos capazes de viajar do planeta Terra à Marte em menos de dias. Entretanto, em meio a tantos avanços na ciência e na tecnologia, pouco se discute sobre o preço psicológico que a sociedade, principalmente os jovens, pagam por viver constantemente conectados.
A internet e as redes sociais mudaram profundamente o comportamento humano, antes da era digital, os seres humanos eram constantemente desafiados a pensar, memorizar, interpretar e criar. Dessa forma, o conhecimento exigia esforço, era necessário ler livros extensos, pesquisar em diferentes fontes, desenvolver raciocínio próprio e até lidar com o tédio e a espera, coisas que desafiavam a capacidade cognitiva. Porém, o uso compulsivo e desregrado da internet fez com que a sociedade contemporânea caminhasse lentamente para um estado de anestesia mental coletiva.
Da mesma maneira, a relação desequilibrada com a tecnologia reduz gradativamente a capacidade de pensamento crítico e gera uma sensação de vazio mental, ansiedade e dependência emocional da internet. Assim, a necessidade constante de estímulos rápidos faz com que momentos simples da vida pareçam monótonos, dificultando a valorização de experiências reais e convivência humana. Ademais, as redes sociais funcionam por meio de algoritmos criados para manter o usuário conectado o tempo todo, vídeos curtos, notificações e conteúdos personalizados que estimulam continuamente o cérebro, gerando uma sensação imediata de prazer e recompensa. Nesse sentido, em um período digital marcado pela busca incessante por satisfação instantânea e validação, o individualismo ganha força, enquanto a empatia perde espaço e as relações humanas tornam-se cada vez mais superficiais. Afinal, emoções não funcionam na velocidade dos algoritmos.
Outrossim, a tecnologia sem moderação não está apenas relacionada à capacidade humana de pensar, mas pelo tempo e vivências dos indivíduos. Nesse contexto, a infância, momento crucial para o desenvolvimento do caráter e da personalidade, foi afetada o que antes era marcada por imaginação, brincadeiras e descobertas passa a ser frequentemente mediada por telas. Sob essa ótica, as crianças aprendem a “deslizar o dedo” em celulares antes mesmo de desenvolver plenamente habilidades sociais e emocionais e, em vez de explorarem o mundo e vivenciarem elementos importantes para o desenvolvimento da criatividade e do pensamento crítico, passam a ser hiper estimuladas. Portanto, a infância deixou de ser vivida para ser assistida por visores.
Em suma, estamos formando uma geração capaz de consumir milhares de conteúdos por dia, mas incapaz de permanecer sozinha com os próprios pensamentos e lidar com a própria realidade.
