Irreparáveis Montanhas Vis

Irreparáveis Montanhas Vis

Resenha por Calien Alves


Revisado por Rafaela Lessa

Publicado por Bruno de luca

Montanhas com névoa em Vale Vêneto, Rio Grande do Sul. (Fonte: Arquivo Pessoal)

A expectativa, o medo.

Aquele caule frágil

ser quebrado no escuro da noite.

O vento, a chuva, o granizo.

A irreverência gosmenta

de um verme rasteajnte.

O imprevisto atentado

de alheia mão

consciente ou não.

– Cora Coralina, A Flor.

Eu vejo vocês indo embora agora,

sua grandiosidade grande demais para mim.

Montanhas vis, da mais bela flora,

beleza vasta, quase sem fim,

apavoram todos, de dentro a fora,

ora a vaca, ora o capim.

São inertes, mas inconstantes,

muito mais velhas que qualquer um.

São gigantes, mesmo dormentes;

mesmo pequenas, mesmo singelas,

são imensas, muito maiores

que qualquer coisa que há em mim.

Irreparáveis montanhas vis,

por que se vão, me abandonando aqui?

Como ousam? Como querem

que eu respire longe daí?

Não se importam com o que fizeram,

com a pequenez que eu senti?

A impotência, a incapacidade…

Nunca terei tua grandeza,

tua flora, tua fauna, tua névoa,

tua calma.

Serei pouco.

Mas, insatisfeitas, levam consigo

ainda as memórias, ainda a beleza

que um dia eu testemunhei.

Não que mereça, mas, por pura sorte,

um dia eu presenciei

teu esplendor, na mais bela vista,

no mais belo mar de verde e azul.

Era tudo o que me ancorava:

 teu ambiente e a minha dor.

Levo de mim ainda o teu formato,

todo o teu brilho e a tua cor.

E levo. Pois são inertes 

as pequenas montanhas.

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