Artigo de opinião

O Preço da Verdade

O Preço da Verdade

Artigo de opinião por Valentina Eloi


Revisado por Amanda Fregolante

Publicado por Giovanna Martini

Uma falsa justiça movida por dinehiro e poder, tudo o que o dinheiro pode comprar

Você já se perguntou quantas vezes a injustiça prevalece na sociedade quando o dinheiro e o poder dão respaldo à mentira? E até que ponto podemos confiar naqueles que deveriam nos proteger? No Brasil, por exemplo, aproximadamente 90% dos crimes mais comuns, como roubo e furto, não são solucionados, e mais de 60% dos homicídios não são investigados. Isso sem levar em conta as ocorrências que foram silenciadas por interesses políticos ou econômicos e, portanto, não possuem dados oficiais. Dessa forma, quando informações são omitidas, investigações são interrompidas ou fatos são distorcidos, não ocorre apenas uma falha administrativa, mas uma violação direta do direito do cidadão de conhecer a realidade que o cerca. Além disso, quando as autoridades não são responsabilizadas, cria-se a ideia de que o poder pode se sobrepor à lei.

O chamado “Preço da Verdade” não se refere apenas a valores monetários, como impostos elevados ou cobranças abusivas, mas também ao custo social que muitos cidadãos enfrentam por viver em um ambiente no qual o poder e a influência podem distorcer a realidade para beneficiar aqueles que infringem as normas. Se observarmos com atenção, a parcela da sociedade que mais tende a ser vítima desse controle é, em sua maioria, a população mais simples, considerada mais suscetível à manipulação, pois muitas vezes não possui pensamento crítico desenvolvido ou acesso a informações suficientes para questionar as instituições públicas, restando-lhes apenas uma confiança cega.

Diante disso, quando instituições que deveriam garantir justiça passam a ser influenciadas por interesses individualistas ou polarizados, toda a estrutura de confiança de uma sociedade é enfraquecida. Ademais, em um povo marcado por desigualdades, discutir o preço da verdade também significa refletir sobre responsabilidade, transparência e limites daqueles que detêm o poder. Esses devem compreender que a ética não pode depender de conveniência, e que a justiça não pode ser seletiva, já que esse desequilíbrio alimenta a revolta social e evidencia cada vez mais a realidade de que a lei nem sempre é aplicada de maneira igual para todos. Consequentemente, isso faz com que a sociedade se torne menos capaz de confiar em sua própria democracia, pois muitos passam a acreditar que a verdade deixa de ser um direito coletivo e passa a ser um privilégio.

Infelizmente, esse senso crítico não está presente em toda a população. Assim, a continuidade desse ciclo ao longo dos anos faz com que muitos se acostumem com a injustiça e passem a aceitá-la como algo natural da realidade.

Segundo Jean-Jacques Rousseau, filósofo suíço que ampliou a ideia do contrato social, o acordo entre Estado e sociedade só é legítimo quando o governo atua em favor da vontade coletiva, ou seja, quando as decisões políticas buscam o bem comum. Dessa forma, quando as motivações das ações governamentais se tornam pessoais, econômicas ou partidárias, o governo deixa de cumprir a função para a qual foi criado, rompendo a confiança que sustenta a organização social e enfraquecendo progressivamente a nação.

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