O devir

O devir

Crônica reflexiva por Micaella Martins


Revisado por Helena xavier

Publicado por Mariana Mota Lopes

O tempo vem passeando diferente. No contexto dessa vida volátil, em nossas eternas estadias passageiras. Foi uma grande volta ao sol, com os fenômenos do quadriênio capazes de conectar um mundo todo por uma competição de futebol e depois separar toda uma nação pela polarização política.

Do mais bonito e transformador ciclo que me arrancou tudo que pensei ser dependente e me devolveu aquilo que realmente preciso.Uma metamorfose, enquanto agraciada pela visitação de novos encontros e invadida pelas revisitações dos antigos.

Foi ano de aprender.
E aprendi.
Muito.

Que a única forma de alcançar uma vida melhor e o mundo que queremos é com a gentileza. Com o próximo e com nós mesmos. Que tudo que se é aprendido pode ser mudado. E não existe alguém que não tenha algo a ensinar ou alguém que não tenha algo a aprender. 

Que, assim como grandes poderes vêm acompanhados de grandes responsabilidades, a profundidade no sentir vem com a vulnerabilidade. Que os relacionamentos são ambientes
onde precisamos sustentar as incertezas e correr riscos,mas com sabedoria.

Que o amor-próprio é a possibilidade de dialogar constantemente consigo e nos contradizermos. Afinal, existem poucas coisas mais inteligentes que mudar de opinião.

Que o amor terreno não é linear nem fácil. Amor é uma decisão executada com muito êxito quando verdadeiro. Que a amizade que te desperta o melhor e te traz conforto é singular como um talismã.

Que devemos nos doar a poucos e,a esses poucos,nos doarmos muito.

Que um Deus soberano que se faz homem cheio de misericórdia, que se senta com as prostitutas,cura os doentes e perdoa os pecados. Preza pelo amor e não endossa discursos de ódio baseados nas leis.

Que o mais puro afeto é achar algo que não só vale a pena morrer por, mas também viver por.

Que o sol, a chuva e o arco-íris são igualmente belos.

E que todo fim,é um começo.

E, em todas as danças desse ciclo efêmero, foi gracioso tratá-lo com zelo neste ano.

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