Notícia por Maria Clara Monici Moreira
Revisado por Henrique Rios
Publicado por Lucas Bispo
Prolongar a vida humana deixou de ser assunto só de ficção científica e virou uma das apostas mais caras da tecnologia mundial. Nos últimos meses, o setor de pesquisas sobre longevidade bateu recorde de investimentos, atraiu nomes como Jeff Bezos e Sam Altman (CEO da OpenAI) e já colocou o primeiro tratamento experimental de rejuvenescimento em fase de testes nos humanos. Existe um caso que virou símbolo dessa obsessão: o empresário americano Bryan Johnson investe a própria fortuna para tentar transformar seu corpo de 47 anos no de um jovem de 18.
Johnson ficou milionário depois de vender sua empresa de pagamentos, a Braintree, para o PayPal por US$ 800 milhões, em 2013. Com o dinheiro garantido, decidiu dedicar a vida a um único projeto: driblar o envelhecimento. Criou o “Project Blueprint”, um sistema que monitora e tenta otimizar mais de 70 órgãos do próprio corpo e passou a investir cerca de US$ 2 milhões por ano em dieta rigorosa, exercícios, dezenas de suplementos diários e acompanhamento médico constante, compartilhando cada resultado nas redes sociais. Segundo o próprio projeto, os esforços já teriam rendido a ele a saúde cardíaca de um homem de 37 anos e a capacidade pulmonar de alguém de 18. Recentemente, porém, Johnson revelou ter sido diagnosticado com uma condição autoimune incurável, o que reacendeu o debate sobre até onde a ciência antienvelhecimento realmente consegue chegar, mesmo com recursos praticamente ilimitados.
O caso de Johnson a ponta mais famosa de um movimento bem maior. Segundo levantamento da “Longevity Technology”, o investimento privado em ciência da longevidade mais do que dobrou no último ano e só no primeiro trimestre de 2026 o setor cresceu 56% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre os principais financiadores estão gigantes farmacêuticas e bilionários do Vale do Silício, que apostam alto em startups de biotecnologia dedicadas à driblar o relógio biológico.
Uma das empresas mais comentadas é a Retro Biosciences, financiada por Sam Altman. A meta declarada da companhia é reverter o processo de envelhecimento e ampliar em dez anos a expectativa de vida humana saudável, combinando técnicas como edição epigenética e reprogramação celular. Outros nomes fortes do setor são a Altos Labs, que tem Bezos como um dos principais investidores, e a Calico Labs, financiada pelo Google em parceria com a farmacêutica AbbVie.
O avanço mais recente veio da startup Life Biosciences, que anunciou o primeiro paciente humano a receber uma dose de terapia de rejuvenescimento baseada em reprogramação epigenética, técnica que tenta “treinar” as células para voltarem a se comportar como células mais jovens.
Enquanto a biotecnologia tenta driblar o envelhecimento em vida, outra aposta segue um caminho mais radical: congelar o corpo depois da morte na esperança de reanimá-lo no futuro. Chamada criônica, a prática já existe desde 1967 e é executada na Alcor Life Extension Foundation, que tem sua principal representante localizada no Arizona. Quando um cliente morre, uma equipe substitui os fluidos do corpo por soluções que evitam a formação de cristais de gelo e depois o resfria a -196°C, armazenando-o em tanques de nitrogênio líquido. O procedimento custa cerca de US$ 220 mil pelo corpo inteiro ou US$ 80 mil apenas pela cabeça, e já atraiu nomes como o investidor Peter Thiel, cofundador do PayPal, além de cerca de 10% das 50 pessoas mais ricas do mundo, segundo o atual CEO da fundação. Ainda que a técnica seja aplicada, nenhum cientista garante que será possível reverter o processo um dia. Como consequência, boa parte da comunidade científica trata a prática menos como um projeto médico sólido e mais como uma aposta filosófica contra a certeza da morte.
Apesar da euforia dos investidores, cientistas pedem cautela. Um estudo publicado na revista científica “Npj Aging” usou um modelo matemático para estimar que, em condições ideais, o limite teórico da vida humana poderia chegar a cerca de 156 anos, mas os próprios pesquisadores reforçam que se trata de um cenário extremamente idealizado, distante da realidade prática. Especialistas também alertam que não há, até o momento, evidências científicas de que será possível fazer seres humanos viverem 150 anos ou mais em um futuro próximo. Para pesquisadores da área, o foco real da ciência da longevidade não deveria ser simplesmente aumentar o número de anos vividos, mas sim garantir que esses anos extras venham acompanhados de saúde, autonomia e qualidade de vida, evitando doenças crônicas ligadas à velhice.
Se a superlongevidade realmente se tornar realidade um dia, as mudanças não seriam só biológicas. Segundo especialistas ouvidos pela National Geographic, viver em sociedades muito mais longevas tende a transformar até questões básicas do comportamento humano, como a forma como as pessoas se relacionam e os próprios conceitos de família e amor. As noções atuais do que significa ser jovem ou ser velho, e das atividades associadas a cada fase da vida, também deixariam de fazer sentido do jeito que conhecemos hoje. Sociólogos que estudam o tema acreditam que essa transição para uma expectativa de vida tão alta aconteceria de forma gradual, dando tempo para a sociedade se adaptar às consequências psicológicas de uma vida tão mais longeva.
Por enquanto, esses tratamentos de ponta ainda estão concentrados em clínicas exclusivas e restritos a quem pode pagar por eles, mas cientistas do setor acreditam que, com o avanço das pesquisas, essas tecnologias podem se tornar mais acessíveis nas próximas décadas.
Como a diplomacia internacional costuma ignorar a realidade nua e crua de quem vive na…
O fanatismo feminino na mídia como sinônimo de repercussão cultural e social Reportagem por Eduarda…
Rap: Entre a cultura e a denúncia social Notícia por Ana Luisa Rosa Revisado por…
Um novo “S” em Sudão do Sul: Surpresa! Entrevista por Maria Luíza Quintela Revisado por…
O devir Crônica reflexiva por Micaella Martins Revisado por Helena xavier Publicado por Mariana Mota…
Artigo de opinião por (Clara Carneiro) Revisado por (Eduarda Guedes) Publicado por (Pedro Henrique Barreto)…
Utilizamos cookies
Entenda como utilizamos