Notícia

There is a woman in Somalia: o silêncio cortante por baixo da burca

There is a women in Somalia: o silêncio cortante por baixo da burca

Notícia por  Maria Clara Moura Peres


Revisado por Isadora Alcântara Lopes

Publicado por Emanuelle Ponte

https://www.nexojornal.com.br/entrevista/2021/08/20/a-vida-das-mulheres-no-afeganistao-antes-e-depois-do-taleban

Enquanto os gabinetes da diplomacia internacional discutem o xadrez do poder global em salas refrigeradas, existem geografias onde o mapa é desenhado com fome, sangue e tecidos pesados que tentam apagar a existência humana. É impossível olhar para o Afeganistão de hoje e para a Somália sem que a música Pearls, da Sade, ecoe como um soco no estômago, lembrando que, por trás de qualquer estatística fria de conflito, existe uma mulher escolhendo sobreviver a um inferno que ela não escolheu.

No Afeganistão, o retorno do regime Talibã transformou o espaço público em uma terra proibida, em que a burca deixou de ser uma escolha cultural para se tornar o uniforme de uma prisão a céu aberto. Sob aquele tecido denso, o que acontece é um apagamento cirúrgico e sistemático: mulheres foram expulsas das universidades, banidas do mercado de trabalho, proibidas de ocupar praças e silenciadas até no direito mais básico de ter voz própria. A soberania de um Estado não pode servir de álibi para um apartheid de gênero institucionalizado, e a burca, nesse cenário, é a fronteira física de um sistema que quer transformar pessoas vivas em sombras mudas.

Do outro lado do mapa, na Somália, a violência não veste o manto de uma lei teocrática explícita, mas a crueldade da miséria extrema, de um Estado que ruiu e das mudanças climáticas que castigam a terra sem piedade. É exatamente aí que a letra de Sade nos atinge, trazendo a imagem de mulheres caminhando sob um sol implacável para catar grãos mínimos de sobrevivência. Não há um tecido escuro cobrindo o rosto da mesma forma que em Cabul, mas há o véu invisível da fome e da negligência do mundo, que escolhe virar o rosto para uma crise humanitária crônica.

No fim das contas, a burca imposta no Afeganistão e a escassez sufocante na Somália são faces de um mesmo espelho que reflete a indiferença global. São realidades distantes que se cruzam na resistência feroz de corpos femininos que se recusam a sumir, mesmo quando o mundo inteiro parece apostar no silêncio dela

Gostou? Compartilhe!
Share
Published by

Recent Posts

  • Único Educacional

O fanatismo feminino na mídia como sinônimo de repercussão cultural e social

 O fanatismo feminino na mídia como sinônimo de repercussão cultural e social Reportagem por Eduarda…

4 horas ago
  • Único Educacional

Rap: Entre a cultura e a denúncia social

Rap: Entre a cultura e a denúncia social Notícia por Ana Luisa Rosa Revisado por…

5 horas ago
  • Entrevistas

Um novo “S” em Sudão do Sul: Surpresa!

Um novo “S” em Sudão do Sul: Surpresa! Entrevista por Maria Luíza Quintela Revisado por…

4 dias ago
  • Contos e Crônicas

O devir

O devir Crônica reflexiva por Micaella Martins Revisado por Helena xavier Publicado por Mariana Mota…

4 dias ago
  • Único Educacional

Quando se é mulher, tudo é político.

Artigo de opinião por (Clara Carneiro) Revisado por (Eduarda Guedes) Publicado por (Pedro Henrique Barreto)…

7 dias ago
  • Artigo de opinião

“Eu vejo o futuro repetir o passado”- já dizia Cazuza

“Eu vejo o futuro repetir o passado”- já dizia Cazuza Artigo de opinião por Luma…

1 semana ago

Utilizamos cookies

Entenda como utilizamos