Reportagem

Clima esquenta na 2ª sessão da Comissão de Orçamento Militar

Clima esquenta na 2ª sessão da Comissão de Orçamento Militar

Notícia por Nina Xavier


Publicado por Júlia Aucélio

Simulação 360-etapa legislativa- Orçamento Militar

A segunda sessão da Comissão de Orçamento Militar do Senado Federal, realizada nesta sexta-feira (30), foi marcada por intensos embates políticos e discursos inflamados durante a análise do Projeto de Lei nº 2, de 2025. De autoria do deputado Thiago Boratto (PMDB), o projeto trata da destinação orçamentária complementar ao Ministério da Defesa, estabelecendo percentuais fixos para os sistemas SISFRON, SIVAM, SISDABRA e para a Força Aérea Brasileira (FAB), com base na PEC 55/2023. A matéria provocou uma série de divergências entre parlamentares governistas e da oposição.

A bancada de esquerda, liderada por Thiago Vital (PSOL), posicionou-se contra o projeto, alegando que os recursos previstos seriam mais eficazes se direcionados à melhoria da gestão prisional, ponto que, segundo eles, atacaria diretamente a renovação das facções criminosas — frequentemente usadas como justificativa para militarização das fronteiras. Vital também questionou a real existência de ameaças externas ao país, que, segundo ele, “não existem desde a Segunda Guerra Mundial”. A resposta veio do presidente do PMDB, o senador Yorg Alves, que classificou a fala como “absurda” e declarou: “Nem seus aliados estão a seu favor. Você está indo contra a Constituição, e fica difícil conversar com você assim.”

O debate se acirrou quando Thiago Vital solicitou questão de ordem com base no artigo 53 da Constituição, acusando os senadores Yorg Alves e Bernardo Quintas de difamá-lo e questionando sua capacidade intelectual. Enquanto isso, o senador Yuri Rayol (PMDB) rebateu as críticas de Vital com veemência: “Não cabe ao Orçamento Militar discutir sobre prisões. Estamos aqui para falar de Defesa.” A deputada Maria Paula de Magalhães (PL) também apoiou o projeto, dizendo que “a defesa da soberania nacional exige ação nas fronteiras”, enquanto Yorg reforçou o papel das facções como ameaças reais à integridade territorial.

A sessão foi ainda mais acirrada após membros da oposição, incluindo parlamentares do PSOL e do PT-SC, alegarem indícios de corrupção envolvendo a presidência da comissão e o governo federal na condução e priorização do PL. As denúncias foram rebatidas pelos parlamentares da base governista, que classificaram as acusações como “infundadas”.

Apesar do clima tenso e das divergências ideológicas, o Projeto de Lei nº 2, de 2025, foi aprovado por votação nominal, com maioria favorável da comissão. A decisão representa uma vitória do governo em sua estratégia de ampliar os investimentos em defesa e vigilância de fronteiras, mas também expõe a crescente polarização nas discussões orçamentárias e a tensão entre prioridades sociais e militares no cenário legislativo atual.

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