Parasita é um filme perigoso. O sul-coreano Bong Joon-Ho criou uma sátira social que não se contenta em ser colocada em uma caixa. É ousado ao passear por diversos gêneros sem nunca se ater a nenhum. É engraçado de maneira nervosa, romântico em sua constante tensão, aterrorizante em seu realismo brutal. É um filme de ideias realistas, com o mundo completamente fora do eixo, que consolida a noção de que ideias podem ser o estopim do caos, como o noticiário teima em nos lembrar a todo momento. É um filme de alcance universal, mostrando abismos profundos comuns a cada sociedade, a cada povo e a cada camada social.
A história começa como uma comédia ácida, mas se desenrola como sátira social com elementos de suspense e horror. O filme trata da relação entre duas famílias, os Kim, que são pobres e vivem num porão, e os Park, abastados e habitantes de uma mansão luxuosa. Os primeiros irão se “infiltrar” um a um na vida da família rica, empregando-se em diferentes funções de seu cotidiano. Ou seja, parasitando-os.
O diretor sul-coreano Bong Joon-Ho, em nenhum momento do suspense, tenta mostrar sutileza. Em seu filme, Bong vai além de “ricos ignorantes e pobres malandros”. Ele aborda perspectivas sobre autoimagem e camadas sociais quase imperceptíveis que se mostram insignificantes.
A realidade do filme se mostra sufocante, principalmente por se tratar de sociedades em que a desigualdade é marcante. O longa-metragem lembra o Brasil, um país em que a desigualdade ocorre por falta de empatia ou por simples ignorância. A perspectiva do filme nos ensina que fechamos os olhos para o que acontece em nosso cotidiano, fechamos os olhos quando se trata de nos colocarmos no lugar do outro. Vivemos numa sociedade que não possui a coragem de ser altruísta.
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