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Comodidade é medo

Comodidade é medo

Reflexões Por Lorena Lopes, em 29/04/2020

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 Não se sabe ao certo quando surgiu. Nem mesmo o porquê. Caso pergunte para mim, também não saberei responder com exatidão. Todavia, algo é nítido: o medo da evolução persistiu em diversas etapas pessoais. Persistiu em todos nós. 

 Esse sentimento pela evolução é direcionado para distintas áreas. Seja a do conhecimento, seja da ciência e, até mesmo, da sabedoria. Dessa maneira, sempre esteve rodeando os nossos nichos. Esteve estimulando os nossos hormônios a evitarem tal processo, levando-nos, infelizmente, à comodidade. 

 Diga-me, não é mais fácil esperar que algo seja feito por você? Não é mais fácil não se declarar pra alguém? Não é mais fácil não se arriscar a nada? O que seria da humanidade se não fosse por aqueles que arriscaram?

Tristemente, estaríamos da mesma maneira que os nossos antecedentes seculares, caso não tivesse existido Galilei Galileu, Maxwell e várias outras importantes figuras – todas essas essenciais para o que entendemos como civilidade atualmente. Portanto, você viverá num ciclo eterno de ações, repletos de covardia e de aconchego, caso não tente sair dele.

Entretanto, há um outro medo. Um bem pior do que sair da comodidade, do que se arriscar por novos ares. Esse, por sua vez, vem daquele que teme, daquele que “arrancaria os cabelos” ao saber que você sabe. O pior de todos: o medo de que as pessoas saiam do seu conforto e adquiram experiências – ou conhecimentos.

Como dado o exemplo de Galilei Galileu, cabe aqui um outro exemplo relacionado à figura. Nessa cena, a igreja católica se figura como uma vilã. Seria ela quem “arrancaria“ os cabelos, nesse caso, ao perceber o poder científico e como seria isso na mão do povo. 

Com isso, eu quero dizer que há pessoas e, estranhamente, líderes que anseiam pelo seu comodismo. Preferem que você não saiba nada. Preferem que você não seja esclarecido. A amiguinha que fofoca sobre você possui o mesmo medo; afinal, essa prefere que você não saiba nada. Portanto, ela fica quieta. 

Por fim – um trágico fim –, Immanuel Kant deve estar se revirando nos céus, em virtude de tanta “falta de esclarecimento“. Dedicou-se a explicar à população o quão aniquilador é o “não esclarecimento“, mas, tristemente, persistirmos em nos amedrontar por um certo risco. É muito mais fácil sentir-se aconchegado. Se conforto é medo, tornar-me-ei medroso.

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