Brasília, 04 de setembro de 2020.
Querido eu do futuro,
O ano é 2020. Acho que você se lembrará do quão caótico, do quão impactante foi. Até agora, 5 meses se passaram sem sair de casa. O passeio mais animador é ir ao supermercado. As semanas passam como um loop eterno de dias e noites sem emoção. Não vejo a hora de acabar, mas também não vejo acabando tão cedo.
É difícil se manter otimista nessa situação. Fico desencorajada vendo as pessoas saírem como se não tivessem nada a perder. Talvez realmente não tenham. Vão para festas, bares, restaurantes, sem nem olhar os trabalhadores que não podem ficar em casa e se proteger. Na verdade, acho que percebem, só não se importam, afinal, não são eles, né?
Consigo ver que não estou nesse loop infinito por nada. Não perdi cinco meses, e sim dei a chance de outros terem mais cinco meses, da minha vó estar aqui por mais cinco meses, do amigo da minha mãe, que está no hospital, sobreviver e viver por muito mais que cinco meses. É estranho pensar assim porque parece que sou uma super heroína, mas, nesses tempos estranhos, prefiro inflar um pouco meu ego e continuar aqui, parada, mas parada por um motivo.
Mesmo assim, mesmo podendo ficar em casa e continuar a ter aulas e ter uma vida muito mais normal que muitos, apesar da anormalidade geral, sinto falta dos meus amigos, do contato físico, de passear e rir. Por favor, recupere esses momentos que não consegui ter. Espero que todos estejam bem ainda, que o loop pare e o mundo consiga voltar a viver, espero que vidas parem de ser perdidas, tanto pelo corona, quanto pelos vírus sociais que vivemos. Espero um mundo melhor e um abraço da minha vó.
Espero estar feliz, em paz comigo. Boa sorte para fazer isso acontecer.
Assinado: eu de agora.
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