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Madonna, um ícone musical e político.

Madonna, um ícone musical e político.

Reportagem por Ingrid Marques


Publicada por Analice De Geraldo

No dia 27 de julho de 1983, a indústria da música foi abalada pelo lançamento do álbum “Madonna”, o qual, não apenas introduziu no meio musical uma das artistas mais bem sucedidas de todos os tempos, como também apresentava ao mundo algumas canções icônicas, como “Lucky Star” e, é claro, a balada dançante “Everybody”. Assim, a Turnê Celebration, a qual teve seu encerramento no dia 4 de maio em Copacabana, veio para comemorar esse marco de 40 anos de carreira que se sucederam após o lançamento do primeiro disco da rainha do pop. A apresentação reuniu mais de 700 mil pessoas na praia e contou com participações especiais de artistas brasileiros, músicas novas e performances inesquecíveis. No entanto, alguns internautas brasileiros teceram críticas ao teor da apresentação, o que é compreensível, visto que Madonna retratou no show uma retrospectiva de sua carreira que foi repleta de polêmicas e, principalmente, de desconstrução dos tabus que permeiam a sociedade.

O show foi inaugurado com “Nothing Really Matters”, do álbum “Ray of Light” de 1998, que agitou os fãs para as próximas músicas. Entretanto, um dos momentos mais importantes estava no final do primeiro ato, durante a interpretação de “Live to Tell”, em que houve uma homenagem às vítimas da Aids, como Cazuza, Freddy Mercury e Renato Russo. Nos anos 80, a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida tinha acabado de ser descoberta com um percentual maior entre homens homossexuais, o que promoveu a percepção de que a Aids era uma espécie de “doença gay”. Logo, tal tributo no show da Madonna representa a participação fundamental dela durante o combate à epidemia de HIV, sobretudo no seu quarto disco “Like a Prayer”, de 1989, em que foi inserido uma cartilha sobre a Aids e as formas de infecção que dizia: “Afeta homens, mulheres e crianças, sem distinção de raça, idade ou orientação sexual”.

Além disso, as participações de celebridades brasileiras foram um acréscimo que engrandeceu o show por inteiro. A execução sensual da música “Vogue”, que pertence ao álbum “I’m breathless” de 1990, juntamente com a cantora Anitta, comemoraram uma das pautas mais defendidas por Madonna: a liberdade sexual feminina. Isso porque, desde dos primórdios de sua carreira, a cantora americana sempre teve o objetivo de desestigmatizar a sexualidade das mulheres. Inclusive a sua primeira turnê, chamada “Blond Ambition World Tour”, tinha um arco narrativo em que ela representava uma garota a qual se libertava das amarras dos padrões sociais impostos para as pessoas do sexo femino.

Ao final, houve também a participação da Pabllo Vittar na performance de “Music”, lançada em 2000, que foi adaptada para receber uma bateria formada por jovens ritmistas e comandada pelo sambista Pretinho da Serra. Enquanto isso, no telão, eram homenageadas várias personalidades brasileiras. Logo após, o show da Madonna, bem como a Turnê, foi finalizado com a música “Celebration” que simboliza as quatro décadas de carreira e todo o valor histórico e político da rainha do pop.

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