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Radicalização e intolerância: qual é o limite do fanatismo?

Dissertação por Rafael Braga


Publicado por Maria Luísa Peres


Escultura “A Justiça”, localizada na entrada do Supremo Tribunal Federal, Brasília

Nos últimos anos, tem-se vivido na era da radicalização. Em 2023, tal problemática fez com que o povo presenciasse ataques diretos à democracia brasileira. Em prol de ideologias extremistas, os atos golpistas em 8 de janeiro, que causaram a destruição da Praça dos Três Poderes, bem como a vandalização da escultura “A Justiça” – símbolo da ordem, refletiram o regresso e a violação dos direitos políticos, sociais e civis da nação.

Em paralelo, a crença é outra área em que esse extremismo pode ser claramente percebido. A intolerância religiosa, por exemplo, muitas vezes começa com simples questionamentos, mas acarreta rejeição, perseguição e doutrinação forçada, além de, por vezes, violência; todos justificados como supostos castigos e penitências provocados por seres superiores a todos. 

A renomada Dra. Ana Beatriz, médica especializada em neurociência, descreveu em entrevista que “O fanático é a pessoa que tem necessidade de acreditar em algo e vive em função dessa crença; mesmo que, para isso, não seja preciso se basear em evidências”. Sendo assim, tal indivíduo, no ápice de seus delírios, apresenta-se como alguém sem qualquer noção de civilidade e respeito ao grupo e à sociedade em que está inserido. 

A idolatria e a romantização que torna as pessoas cegas às próprias ações deveria ser limitada ao próprio sujeito, não ao restante da sociedade ao seu redor. Ter uma ideologia é importante, porém mais do que apenas isso: é necessário reconhecer que opiniões diferentes também têm perspectivas relevantes a acrescentar. Caso não tenham, cabe aos próprios indivíduos buscar desenvolver o senso coletivo e crítico capaz de exigir dos seus servidores públicos serviços justos e de qualidade. 

Os desdobramentos do ato golpista citado são pautas muito recorrentes e os julgamentos, tais como as apreensões dos vândalos extremistas, dividem opiniões na sociedade brasileira. A intolerância religiosa segue sendo uma dentre as diversas ameaças aos princípios do Estado Democrático de Direito, em especial, à liberdade e à igualdade. Contudo, a pluralidade e a complexidade dos seres humanos, que possibilitam a convivência com correntes de pensamento distintas sem tolerar o ódio e a violência, são muito mais fortes do que a imposição de uma ideologia específica.

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