Reportagem por Marjorie Mitzi em 07 de novembro de 2022
Publicado por Felipe Nunes Coelho
O movimento Punk trouxe a grande renovação que o Rock ‘n Roll silenciosamente clamava ao destacar, em oposição às composições complexas que os acadêmicos do Rock Progressivo exaltavam, um viés mais caseiro e acessível de música. Baseado em guitarras baratas, riffs repetitivos e baterias agressivas: um som fácil que qualquer jovem indignado poderia fazer na garagem de casa com os amigos e uns poucos dólares.
Contudo, a tamanha simplicidade das músicas, que rapidamente tornaram-se uma repetição da mesma estrutura de batuque e xingamentos, e a sobriedade do inevitável envelhecimento, que fez a postura revolucionária se acalmar, garantiram a curta vida deste explosivo momento. Os gritos sobre anarquia, sexo e drogas nos clubes noturnos de Nova York, de repente, não eram mais tão adequados para os recém tornados adultos.
Porém, mesmo com seu declínio, os ideais do punk já haviam de certa forma se impregnado na sociedade, e tal qual uma fênix ,este, ressurge sob uma nova roupagem, mais comercial e acalmada, cobrindo uma diversidade de estilos musicais. É da mistura da levada “swing” do reggae e do funk com as batidas cativantes da Disco Music e do Hip-Hop que nasce a New Wave. Bandas como Talking Heads, Blondie e The Cure, destilaram do estilo a ética “Do it Yourself”, do punk, substituindo o discurso revolucionário, por letras sobre amor e juventude, dentro de uma melodia dançante que incorporava exatamente aquela diversidade de gêneros.
No álbum Talking Head ‘77, por exemplo, David Byrne apresenta a sua visão da fusão Funk/Rock, amalgamando influências especialmente da “black music” dos EUA e se pondo vanguarda de um estilo que seria copiado diversas vezes por outras bandas da época, em especial visando a um hit tão grande tal como foi “Psycho Killer”.
Já o The Cure, foi essencial para trazer o estilo punk mais “puro” para o mainstream, através do desenvolvimento de uma nova subcultura, cuja estética exaltava a maquiagem masculina, os cabelos arrepiados e o sombrio, aliados com uma música “atmosférica”, psicodélica e melancólica. Surgem os góticos.
Por fim, Debbie Harry (Blondie), foi a pioneira do fenômeno das FrontWomans, isto é, das bandas pop cujo foco é a performance vocal e cênica de uma mulher, como líder da banda, que vai se popularizar imensamente no século seguinte, com o advento das “Divas Pop”.
Desta forma, tal estilo tão abrangente, através do sincretismo de tão distintas influências musicais, incluiu basicamente todos os grandes sucessos dos anos 80, coloriu o cenário pessimista do punk e abriu portas para o desenvolvimento da glamorosa cena pop do final do século XX.
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