Notícia por Luma Carvalho
Revisado por Luísa Nogueira Friedman
Publicado por Fernanda Martins
A Copa do Mundo de 2026 será realizada simultaneamente nos Estados Unidos, Canadá e México pela primeira vez na história. Além de promover a união entre diferentes povos, culturas e países, o torneio colocará os Estados Unidos no centro das atenções, tanto econômica quanto politicamente, já que seis dos oito jogos das oitavas de final ocorrerão em território estadunidense. Diante da influência global do país, intensificada pelo governo de Donald Trump, as relações internacionais acabam afetando diretamente o Mundial. Nesse contexto, destacam-se a atuação do ICE — Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos — e o conflito entre Estados Unidos e Irã. O ICE, criado em 2002 após os ataques de 11 de setembro, foi significativamente expandido desde o retorno de Trump à Casa Branca. Entretanto, suas ações geraram críticas de grupos de direitos humanos devido a abordagens violentas e possíveis violações da liberdade de expressão. Casos como o de Alex Pretti, que foi imobilizado por agentes da força pública, contribuíram para manifestações contrárias às operações de imigração e às políticas adotadas pelo governo.
Nesse contexto, o fortalecimento das políticas migratórias nos EUA projeta uma sombra sobre a própria realização do Mundial. Torcedores estrangeiros e trabalhadores migrantes convivem com o medo constante de abordagens discriminatórias, obstáculos legais e repressão estatal. Uma Copa do Mundo, que deveria simbolizar a circulação global e a integração cultural, corre o risco de ocorrer em um ambiente de vigilância e extrema intimidação. Com isso, percebe-se uma contradição ideológica, evidenciada pela situação de crise da hegemonia estadunidense. Com base na Human Rights Watch — organização internacional dedicada à pesquisa e à defesa dos direitos humanos —, a FIFA deve promover uma trégua nas ações do ICE durante a Copa, além de garantir que as autoridades não realizem fiscalizações de imigrantes nos jogos. Essas preocupações foram intensificadas após grupos de viagem enviarem mensagens alertando sobre a possibilidade de deportações ou violações dos direitos humanos contra pessoas que tentem entrar nos Estados Unidos para assistir aos jogos. De acordo com a Human Rights Watch, diversos visitantes, incluindo torcedores e jogadores, podem enfrentar perfilamento racial ou sofrer maus-tratos.
Além disso, o presidente Donald Trump intensifica cada vez mais as ameaças contra o governo iraniano. O conflito entre Estados Unidos e Irã acontece desde fevereiro de 2026 em razão de fatores históricos e de divergências relacionadas ao Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo exportado do Golfo Pérsico para o restante do mundo. Após diversas tentativas de cessar-fogo, o conflito persiste e já se tornou uma disputa regional com implicações para a geopolítica e a economia mundial. Diante desse cenário, surge a pergunta: “Como um país em guerra pode ser sede da Copa do Mundo?”. Embora não exista um estatuto da FIFA que proíba países em guerra de sediar jogos, o Artigo 3 da entidade prevê a defesa dos direitos humanos, enquanto o Artigo 4 estabelece neutralidade em questões políticas. Essa situação gera debates, especialmente após homenagens feitas pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino, ao presidente Donald Trump.
Diante de todo o contexto de guerra, os Estados Unidos reconheceram a entrada do Irã no campeonato mundial e afirmaram que, como todos os outros países, a seleção se classificou por mérito. Em contrapartida, o presidente estadunidense fez algumas ressalvas ao não permitir que a equipe iraniana ficasse hospedada em seu país. Apesar de o Irã ter partidas agendadas nos EUA, a equipe terá o México como base de treinamento durante o torneio. “O que não vamos permitir é que eles infiltrem em sua delegação um grupo de pessoas que sabemos que não têm nada a ver com o esporte e possuem laços com a Guarda Revolucionária ou coisas dessa natureza. Portanto, vamos monitorar isso muito de perto”, comentou o secretário de Estado norte-americano. Ademais, uma reunião entre os jogadores iranianos e representantes da FIFA foi necessária para confirmar que todos estariam em um ambiente seguro durante o período da Copa.
Portanto, entende-se o campeonato mundial de 2026 como um dos mais políticos da história, visto que um dos países-sede está envolvido em um intenso conflito internacional e vem aplicando medidas extremamente rigorosas em relação aos imigrantes. Apesar do medo e da insegurança de diversos indivíduos e jogadores ao entrarem nos Estados Unidos, de acordo com a FIFA, todas as decisões serão tomadas priorizando a segurança e a paz de toda a população nacional e internacional, para que os jogos sejam realizados em ambientes não conflituosos. Trata-se de uma temporada marcada pelo reconhecimento cultural e pela integração entre diferentes nações.
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