Notícia

O Movimento “Red Pill” e a Promoção da violência no Brasil

O Movimento “Red Pill” e a Promoção da violência no Brasil

Notícia por Bárbara Cândido


Revisado por Maria Beatriz Lima

Publicado por Alícia Ferreira

Cena do filme “Matrix”, 1999, que deu origem ao nome do movimento.

Discursos de ódios direcionados às mulheres e outras minorias são eventos comuns nas redes sociais. É no âmbito digital que o preconceito, a discriminação e outras formas de violência recebem seu maior número de apoiadores e se espalham com elevada velocidade, tornando tal ambiente um ninho de ódio cujos agressores direcionam ofensas as vítimas enquanto acreditam estarem protegidos sob a anonimidade da internet, resultando no crescimento alarmante de casos de crimes virtuais. Nesse sentido, de acordo com a Safernet Brasil- organização sem fins lucrativos que trabalha na promoção da defesa dos direitos civis no meio digital- em pesquisa que engloba denúncias de discurso de ódio na internet, especificamente, contra mulheres, em 2025, a ocorrência de casos de discursos de ódio aumentaram em 224% em relação ao ano anterior. Fato que demonstra a gravidade da situação, uma vez que o agravamento deste cenário representa a popularização de grupos e comunidades, como o movimento conhecido como “Red Pill”, que disseminam preconceitos e ressentimentos sobre mulheres.

É em tal contexto que o movimento “Red Pill” é criado. Sua denominação advém do filme “Matrix”, de 1999, e utiliza da trama para fazer uma analogia à sociedade atual. Na obra, o protagonista recebe a oportunidade de escolher entre dois caminhos, representados na trama como pílulas de cores distintas: A azul (blue pill), referente a escolha de se manter no caminho de “ignorância abençoada”  e a vermelha (red pill) que seria a escolha de abraçar a verdade tornando-se um pensador independente e consciente dos supostos preceitos que regem a sociedade. É nesse viés, portanto, que o movimento se baseia, tendo origem por volta do ano de 2010, representando homens que acreditam viver em uma sociedade controlada por mulheres e que aqueles que escolheram a pílula vermelha são capazes de enxergar tal verdade. De acordo com a pesquisadora e historiadora Isabela Candeloro Campoi, “A pílula vermelha os faria despertar da situação de manipulação promovida pelas mulheres…” os libertando da dominação do gênero feminino.

Além disso, vale ressaltar que este movimento não é restrito ao âmbito digital. O grupo discutido caracteriza-se pela prevalência de discursos extremistas que reforçam ideias de hierarquização e subordinação do gênero feminino em relação ao masculino. Em relação a isso, a advogada especialista em direitos constitucionais, prevenção à violência e direito antidiscriminatório, Emanuela Oliveira de Almeida Barros, debate as consequências desses discursos em relação ao direito das mulheres. Segundo a profissional, a promoção de tais ideais, ao reforçarem uma hierarquia tão tradicionalista são responsáveis por “fomentar a misoginia e a violência contra as mulheres, contribuindo para uma cultura que normaliza o assédio e a agressão”. Destacando, também, as condições dos principais nomes a ‘liderarem’ o movimento no Brasil, como Thiago Schutz, escritor do livro “RED PILL 2.0 – Não basta despertar para a realidade. É preciso criá-la” que em dezembro de 2025 foi detido após ser acusado de agressão e tentativa de estupro, exemplificando a corrente de pensamento violenta deste movimento.

Em síntese, a popularização de movimentos que disseminam discursos de ódio contra mulheres e outras minorias se demonstram através da normalização e busca de um tradicionalismo que contribui para o preconceito, misoginia e violência. A fim de, consequentemente, inferiorizar e diminuir o poder das mulheres em uma sociedade contemporânea que prega a igualdade de gênero. Nesse cenário, movimentos como o “Red Pill” exemplificam como ideais baseados na superioridade masculina podem, rapidamente, ganhar força através da internet e afetar vidas fora deste meio digital, elevando os riscos de segurança da população. 

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