Texto dissertativo expositivo por Marina Contaifer
Revisado por Isadora Farias
Publicado por Luisa Becattini
A década de 1960 no Brasil foi marcada pelas consequências de um golpe de Estado, que resultou em vinte e um anos de censura, repressão e violência: a ditadura militar. Nesse período, a arte mostrou-se um sinônimo de resistência; persistiu, persiste, e persistirá.
A música foi uma das principais áreas afetadas pela censura e, assim, novos estilos sonoros surgiram em meio ao caos. Foi nesse período que nasceu a Música Popular Brasileira (MPB), com o declínio da Bossa Nova e a necessidade de um novo gênero de protesto que representasse as raízes brasileiras, bem como o seu povo.
Ao adentrar a MPB, surgem outros movimentos, entre eles, o tropicalismo.
O tropicalismo, ou tropicália, foi um movimento cultural que buscou se distanciar do intelectualismo da Bossa Nova e se aproximar de uma fusão entre diversos ritmos brasileiros, como o samba, o pop e o rock, os quais são aspectos da cultura popular e a psicodelia.
Liderado por Caetano Veloso e Gilberto Gil, renomados cantores e compositores brasileiros, o movimento tropicália caracterizou-se como libertário e inovador, introduzindo na cultura brasileira um estilo moderno e sonoramente distinto da forma musical, que até então, predominava no país.
Além dos líderes citados, que estavam à frente da vanguarda, destacam-se artistas como Gal Costa, Maria Bethânia, Jorge Ben, Rogério Duprat, Nara Leão e a banda Os Mutantes, composta por Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias.
O tropicalismo não se limitou à música; todas as formas de arte foram afetadas, direta ou indiretamente, durante seu período. “O tropicalismo começou, inicialmente, a beber da fonte visual do hippie”, afirma Tina Moreira, estudante de moda, ao comentar a influência do movimento na estética visual de homens e mulheres na época. Cabelos longos, fluidez, miçangas, flores, estampas e cores vivas destacavam-se na moda. Com o desenvolvimento do movimento, o tropicalismo passou a mesclar elementos da cultura jovem, marcados por estampas do Oriente Médio, pelo rockabilly e pelo revival medieval. Essa amálgama entre diferentes estilos consolidou uma personalidade própria, repleta de identidade, além de intrinsecamente ser dependente da associação entre moda, música e política.
O nome do movimento foi inspirado na exposição tropicália, do artista Hélio Oiticica, que convidava o público a caminhar em meio a plantas tropicais, areia, araras, televisores e poesia, os quais propõem uma experiência sensorial que aproximava a arte da vida, o que faz jus às letras das canções tropicalistas, que representavam de forma artística, o cotidiano e a pluralidade da vida.
Assim, o tropicalismo destacou-se como um movimento novo, provocativo e político ao romper padrões, desafiar convenções e utilizar a arte como forma de crítica em meio à ditadura. Sua mistura ousada de influências reinventou a cultura brasileira e deixou um legado de patrimônio material e imaterial.
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