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“Veneno disfarçado de bebida”: A polêmica do metanol que assusta o Brasil

“Veneno disfarçado de bebida”: A polêmica do metanol que assusta o Brasil

Notícia por Maria Clara Machado 


Publicado por Mariana Dias

Casos de intoxicação e mortes revelam falhas na fiscalização e o avanço das bebidas adulteradas no país. Especialistas alertam: “qualquer gole pode ser fatal”.
Nas últimas semanas, o Brasil tem enfrentado um problema sério: muitas pessoas estão sofrendo intoxicações por bebidas alcoólicas que foram adulteradas com metanol. Esse álcool, que é muito tóxico e costuma ser usado em combustíveis e produtos industriais, é incolor e parecido com o etanol, mas seu efeito no corpo humano é extremamente perigoso.
Vários estados já confirmaram casos de cegueira e até mortes relacionadas ao consumo dessas bebidas contaminadas com a substância. Quando uma pessoa ingere metanol, o fígado o transforma em formaldeído e ácido fórmico, substâncias que prejudicam as células do corpo, causando problemas como acidose metabólica, lesões no sistema nervoso e danos irreversíveis ao nervo óptico. Pequenas doses (de apenas 4 a 10 mililitros) já podem provocar cegueira; cerca de 30 mililitros podem ser fatais. “A diferença entre a vida e a morte pode estar em um copo”, alertam médicos e químicos.
A polêmica se intensifica à medida que surgem questionamentos sobre o papel das autoridades públicas na fiscalização no processo de fabricação dos insumos alcoólicos. Embora existam normas claras que limitam o teor de metanol nas bebidas e exijam controle de qualidade rigoroso — como a Instrução Normativa nº 13 de 2005 e o Decreto nº 6.871 de 2009 —, a fiscalização permanece frágil. Órgãos como o Ministério da Agricultura, a Vigilância Sanitária e o Conselhos de Química têm debatido a necessidade de ampliar as inspeções e de punir com maior severidade os responsáveis pela adulteração. Contudo, a extensão territorial do Brasil, a economia informal, e a carência de recursos técnicos tornam essa tarefa desafiadora.
Diante do exposto, entidades como o Conselho Federal de Química e a Associação Médica Brasileira pedem mais rigor nas inspeções e campanhas educativas para alertar sobre o perigo. O governo, por sua vez, promete reforçar as operações de combate à adulteração. Ainda assim, a sensação pública é de que as medidas chegam tarde demais para quem já perdeu a visão ou a vida.

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