Artigo de opinião

O Retorno do Manto Tupinambá: Um repatriação ancestral tardia e a influencia do etnocentrismo.

O Retorno do Manto Tupinambá: Um repatriação ancestral tardia e a influencia do etnocentrismo.

Artigo de opinião por Beatriz Gonçalves


Publicado por Luana Crespo

O retorno do manto tupinambá ao Brasil, em julho de 2024, após séculos de exílio em coleções europeias, representou um momento de celebração, mas, essencialmente, de luta. A peça, de valor inestimável para a história e a identidade indígena brasileira, finalmente retornou à sua terra natal, marcando um triunfo na luta pela recuperação do patrimônio cultural espoliado durante o período colonial.

No entanto, a euforia não pode obscurecer a dolorosa realidade por trás desse retorno. O manto, confeccionado com peças da fauna nativa pelos povos originários, demonstra o poder da ancestralidade nessa cultura e evidencia que ele nunca foi apenas uma peça para gerar entretenimento aos brancos.

A maneira que o manto foi espoliado do Brasil – ou pindorama, para os nativos – envolve um processo chamado pela sociologia como “Etnocentrismo”, isto é, julgar outras culturas com base nos valores e crenças da sua própria cultura, frequentemente levando à crença de que a sua cultura é superior, assim nota-se que o branco colonizador Imbuídos de uma visão que etnocêntrica considerou sua cultura superior, desvalorizou a importância cultural e espiritual do manto para os povos, e o reduziu a um mero objeto exótico. Essa crença na superioridade cultural europeia pode ter justificado a apropriação do manto, como se os europeus tivessem o direito de se apossar de objetos considerados “inferiores” ou “desnecessários” para os povos originários.

A repatriação do manto é um passo importante, mas não é suficiente. É preciso questionar as razões que permitiram que essa, e outras peças valiosas fossem retiradas do país e mantidas em coleções estrangeiras por tanto tempo. É preciso fortalecer as políticas de proteção e valorização do patrimônio cultural brasileiro, para evitar que novas perdas ocorram, e o mais importante de tudo: é necessário que a visão imbuída de exotismo que os colonos deixaram, seja removida, não trata-se de algo diferente da sua cultura, é a cultura do seu país, é a sua identidade cultural.

O manto tupinambá é mais do que uma peça de museu. É um símbolo de resistência, de memória e de esperança.

Gostou? Compartilhe!
Share
Published by

Recent Posts

  • Resenha

Aos 83 anos, Paul McCartney prova sua genialidade com um dos discos mais profundos de sua carreira solo.

Aos 83 anos, Paul McCartney prova sua genialidade com um dos discos mais profundos de…

23 horas ago
  • Reportagem

O que te interessa em uma conversa?

O que te interessa em uma conversa? Reportagem por Maria Luíza Ramos Revisado por Rebeca…

1 dia ago
  • noticia

Por dentro da copa de 2026: o jogo geopolítico do ICE e a manifestação do conflito entre Irã e Estados Unidos.

 Por dentro da copa de 2026: o jogo geopolítico do ICE e a manifestação do…

1 dia ago
  • Único Educacional

Um esquilo tem mais direitos do que uma menina no Afeganistão

Um esquilo tem mais direitos do que uma menina no Afeganistão Artigo de opinião por…

1 dia ago
  • Único Educacional

O que te interessa em uma conversa?

Reportagem por: Maria Luíza Ramos Revisado por: Rebeca Bernardes Marques Publicado: Artur Pereira Mayrink  Desenho…

1 dia ago
  • Único Educacional

Onde os Sonhos Aprendem a Voar

Onde os Sonhos Aprendem a Voar Artigo de Opinião por Valentina Eloi Revisado por Amanda…

1 dia ago

Utilizamos cookies

Entenda como utilizamos