Notícia por Bárbara Cândido
Revisado por Maria Beatriz Lima
Publicado por Alícia Ferreira
Navio MV Hondius atingido pelo hantavírus ancorado no porto de Rotterdam. 18 de maio de 2026. Foto por Robin VAN LONKHUIJSEN
No início de abril, um surto de hantavírus, a bordo de um navio de cruzeiro, foi relatado à Organização Mundial da Saúde (OMS). A notícia rapidamente se espalhou pelos canais de comunicação e, consequentemente, entre a população, causando medo e incerteza sobre possíveis conclusões que a transmissão do vírus, em larga escala, poderia causar. Tratado pelas autoridades sanitárias como o primeiro surto de hantavírus em um cruzeiro, o caso ocorreu a bordo do navio MV Hondius que havia partido da Argentina e, apenas um mês depois do início da viagem, foi informado,pelo capitão, que havia onze vítimas da doença, entre elas três óbitos. O episódio acendeu um alerta mundial e levantou preocupações com uma possível segunda pandemia como a que ocorreu em 2020.
Dessa forma, é pertinente estabelecer que o hantavírus é uma zoonose viral aguda, ou seja, é uma doença transmitida entre animais e humanos (neste caso, entre roedores silvestres e seres humanos) que se desenvolve rapidamente no organismo e possui curta duração. Inicialmente identificado em 1978 na Coreia do Sul, acredita-se que o hantavírus chegou ao continente americano através de soldados dos Estados Unidos envolvidos na Guerra da Coreia, entre os anos de 1950 e 1953. E, embora haja dezenas de variações, a infecção em humanos é incomum e costuma se apresentar de duas formas: Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (FHSR) e Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SPH), sendo a primeira mais comum na Ásia e Europa, e a segunda, nas Américas.
Em resposta à crescente preocupação da população, o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, compareceu à coletiva de imprensa, realizada na última terça-feira(13), para o esclarecimento da situação. Adhanom destacou que, até então, onze casos ligados ao navio foram confirmados e que o número de óbitos não foi alterado. E que, embora o número de portadores da doença ainda possa aumentar conforme o período de incubação do vírus chegue ao seu fim (referindo-se ao momento em que os sintomas se tornam presentes no organismo do indivíduo infectado, que pode demorar até 60 dias), “não há indícios de que estejamos diante do início de um surto maior”, uma vez que a transmissão do vírus entre humanos não é comum e, por isso, a sua ocorrência em escala mundial ,é improvável.
Em suma, o surto de hantavírus no navio de cruzeiro MV Hondius se deu pela transmissão do vírus através de roedores silvestres durante a viagem, que, como hospedeiros da doença, a transmitiram para os passageiros, entretanto, no caso da cepa andina, ela pode ser transmitido entre humanos, de modo que gerou medo na população. Todavia, embora a exposição do caso tenha sido repentina e assustadora, surtos de hantavírus são comuns em certas localidades e têm sido rapidamente controlados. Ou seja, ainda que existam vítimas fatais atingidas pelo vírus, fato que comumente causa pânico, não há indícios de que uma pandemia se alastre pelo globo.
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