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Crinas de Lã, Atletas de Ferro: Conheça o hipismo de cavalinhos de pau.

Crinas de Lã, Atletas de Ferro: Conheça o hipismo de cavalinhos de pau.

Notícia por Lires Beatriz


Revisado por Lucas Bezerra

Publicado por Maria Clara Vargas

Atleta mirim demonstra técnica e agilidade durante competição de hipismo com cavalinhos de pau (hobbyhorsing).

Se você é um usuário ativo de redes sociais como Tiktok e Instagram, provavelmente já se deparou com algum vídeo minimamente inusitado. Jovens, em sua maioria crianças, em postura atlética, saltando obstáculos enquanto seguram um cavalinho de pelúcia espetado em um cabo de madeira. À primeira vista, a reação da maioria dos internautas é a mesma: o riso. Afinal, tem algo inerentemente cômico em ver alguém levar algo inesperado tão a sério, principalmente um elemento que sempre foi visto na infância de muitos brasileiros como uma brincadeira, como os cavalinhos de pau revestidos de feltro.

Por outro lado, destacar apenas o choque diante do cenário de ver sua brincadeira de infância se tornar um esporte, sem considerar as origens que levaram a isso, é algo bem superficial e, de certo modo, sensacionalista. Já que, muitos esportes comuns atualmente já foram considerados brincadeiras, até que alguém definisse um regulamento para eles.

Por exemplo, o Ultimate Frisbee, um esporte reconhecido mundialmente, nos anos 40, não passava de estudantes da Universidade de Yale que compravam tortas da Frisbie Pie Company e, após comerem suas tortas de maçã, lançavam as forminhas de metal vazias, gritando Frisbee para quem estivesse distraído. Ou então o basquete, por exemplo, o qual começou como uma brincadeira de lançar pêssegos em um cesto alto durante as aulas de um professor de educação física que precisava manter seus alunos ocupados, em 1891.

A verdade é que tudo que é novo causa estranheza, mas o Hobby Horsing é um esporte emergente que teve raízes na Finlândia em meados de 2010 e é levado bem a sério, com um regulamento meticuloso, criado na Alemanha. Ele envolve o exercício de atividades equestres, como: salto, adestramento e equitação; e integra elementos de ginástica e atletismo, demandando excelente aptidão física, habilidade técnica e coordenação, sem a presença de animais reais.

A dúvida que surge é por que, em outros países, o Hobby Horsing é levado com tanta seriedade, enquanto no Brasil as crianças que deram iniciativa a esse esporte acabam se tornando motivo de zombaria. Contudo, a resposta é simples: ela reside no abismo entre a função social do esporte e a sua espetacularização comercial. Enquanto países europeus encaram a modalidade como uma tradição acessível para a comunidade, no Brasil ela é recebida com estranhamento por ser interpretada fora desse contexto, sendo vista apenas como uma excentricidade importada. 

Essa percepção é agravada pelo fato de que o capitalismo “veio montado a cavalo”, transformando o que deveria ser uma alternativa lúdica em um mercado de luxo absurdo, uma vez que muitas crianças exibem acessórios artesanais com preços tão elevados que poderiam facilmente custear aulas de hipismo real, gerando uma contradição financeira que atrai o deboche. 

Por fim, como a maioria das execuções nos vídeos virais brasileiros ainda é técnica e fisicamente amadora, os espectadores brasileiros não conseguem enxergar o valor atlético da prática. Dessa forma, resta apenas a impressão de uma brincadeira infantil, que está sendo levada a uma seriedade extrema sem o suporte de uma performance que a justifique.

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