Notícia por Gabriel Loureiro
Revisado por Fernanda Falcão
Publicado por Maria Clara Vargas
O parecer de Henrique Cavalcanti a respeito do Projeto de Lei 38/2026, escrito por Raul Masson, ambos deputados do Movimento Democrático Brasileiro, não enfrentou oposição, mas houve debate em relação a sua votação, interrompida pela revelação de um relatório da Polícia Federal que alegava haver um esquema de superfaturamento de câmeras adquiridas para o cumprimento do projeto.
A quarta e última sessão da Câmara dos Deputados sobre a segurança pública brasileira começou com discussões a respeito do Projeto de Lei número 38, escrito pelo deputado Raul Masson, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que propõe, resumidamente, o rastreamento de armamentos balísticos. O PL é de relatoria de Henrique Cavalcanti, do (MDB). O parecer de Cavalcanti, curiosamente, não enfrentou oposição a sua aprovação no princípio da sessão, o que levou a pressão por parte de parlamentares da direita para que fosse aprovado por unanimidade.
Mal iniciada a sessão, o deputado Agaciel Maia, do Partido Liberal, se direciona a Tiago Vital, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), dizendo que o nome do esquerdista era de tamanha irrelevância que seria indiferente para seu discurso, o que levou a presidência, o deputado Raul Masson (do MDB) e o próprio Tiago Vital a pedir a censura do ofensor em decorrência do desacato com o parlamentar do PSOL. A questão se arrastou por inconsistências nos pedidos, mas findou com a derradeira censura do deputado Maia por 7 minutos.
A sessão foi interrompida com a divulgação de uma notícia pela Rede Globo: um relatório da Polícia Federal (PF) apontou que houve esquemas de corrupção e superfaturamento na aquisição dos equipamentos propostos pelo Projeto de Lei do aumento de verba para os órgãos policiais. O relatório destacou que o preço de aquisição teria sido até 70% acima daquele estabelecido no mercado internacional, acusou vantagens indevidas e, principalmente, mencionou a possível participação de alguns deputados da sessão, que teriam conhecimento prévio e teriam atuado segundo o relatório, para garantir que o projeto fosse aprovado. Diante dessa crise sem precedentes, os parlamentares alegaram que a corrupção não anula a necessidade de câmeras corporais proposta no PL 42/2026.
Um delegado da PF foi convocado para que lhe fossem dirigidas perguntas sobre o relatório. Raul Masson foi o primeiro a questionar se realmente havia algum deputado com conhecimento prévio sobre o superfaturamento e perguntou também sobre o modo como foram feitas as investigações.
Clara Câmpara perguntou se havia evidências de conexão entre os investigados e as empresas atreladas ao esquema de superfaturamento. O policial revelou que não seria possível afirmar categoricamente quem seriam os envolvidos.
Thiago Calado perguntou se o delegado achava que o projeto deveria ser barrado, dizendo que há dois problemas: o modo como foi executado e o papel da opinião pública sobre os agentes de polícia.
O deputado Bernardo Duarte, do União Brasil, fez questionamentos em relação aos partidos de esquerda, que são a favor do PL investigado. Acusou, posteriormente, Thiago Calado e pediu evidências ao delegado da PF, o qual respondeu que a informação preliminar que Polícia possuía, acusava que as lideranças de partidos de esquerda, favoráveis, estariam diretamente ligadas ao esquema.
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